'Precisava de estabilidade': meia do Arsenal revela lembrança de como foi deixar o Real Madrid

 

Fonte: Bandeira



Existe um ditado recorrente no futebol espanhol: ninguém deixa o Real Madrid por vontade própria. Normalmente, é o clube quem decide quando chega a hora da despedida. Mas Martin Odegaard foi uma rara exceção. Há cinco anos, o meia norueguês decidiu que não podia esperar indefinidamente por uma vaga em um meio-campo dominado por Toni Kroos e Luka Modric. A solução foi pedir para sair. Hoje, aos 27 anos, ele chega à final da Liga dos Campeões como capitão do Arsenal, protagonista de uma das trajetórias mais emblemáticas do futebol europeu recente.

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Quando desembarcou em Madri, em 2015, Odegaard era tratado como um fenômeno. Aos 16 anos, sua contratação gerou enorme repercussão e alimentou expectativas de que ele seria uma das futuras estrelas do clube. A realidade, porém, mostrou-se mais complexa.

Para ganhar experiência, o norueguês passou por uma série de empréstimos. Atuou pelo Heerenveen, pelo Vitesse e pela Real Sociedad, onde viveu o melhor momento antes de retornar ao Real Madrid. A volta ao Santiago Bernabéu, contudo, não trouxe a sequência esperada. Foram apenas nove partidas e 370 minutos em campo.

Em janeiro de 2021, o Arsenal apareceu como oportunidade. Inicialmente por empréstimo, depois em definitivo, por cerca de 35 milhões de euros. Foi o início da transformação.

— Eu precisava de estabilidade para me estabelecer em um lugar com bons jogadores que quisessem crescer juntos — explicou Odegaard, em entrevista à revista The Players' Tribune.

A decisão contrariou parte da lógica que cerca o Real Madrid. Em vez de insistir na disputa por espaço, o norueguês escolheu construir seu protagonismo em outro cenário. Na época, o então técnico Zinedine Zidane chegou a tentar convencê-lo a permanecer.

— Eu disse que precisava ficar, lutar pelo seu lugar e ter paciência. Mas foi um pedido do jogador — revelou o francês.

Com Mikel Arteta, Odegaard encontrou exatamente o que buscava. Ganhou sequência, confiança e, posteriormente, a braçadeira de capitão. Tornou-se um dos símbolos da reconstrução do Arsenal e participou ativamente da retomada do clube ao protagonismo inglês e europeu.

Até mesmo no Real Madrid existe reconhecimento pela escolha feita pelo jogador.

— Ele saiu em busca de novas experiências e agora é um dos melhores do mundo na sua posição — afirmou Carlo Ancelotti, responsável por dar ao norueguês sua estreia no time principal merengue.

A atual temporada, porém, esteve longe de ser tranquila. Lesões sucessivas impediram Odegaard de manter regularidade. O meia acumulou sete problemas físicos diferentes e ficou afastado dos gramados por 137 dias. Como consequência, participou de apenas 35 dos 62 jogos disputados pelo Arsenal antes da final da Liga dos Campeões.