As praças fazem parte da rotina de quem vive em Belém. Além de serem locais de descanso, lazer e encontro entre moradores, elas ajudam a preservar a história da cidade, oferecem contato com a natureza e contribuem para o bem-estar da população. A importância desses espaços é lembrada nesta quinta-feira, 22 de outubro, data em que é celebrado o Dia da Praça. Para que esses espaços continuem cumprindo esse papel, porém, é necessário garantir cuidados constantes, como limpeza, iluminação, arborização e manutenção das estruturas. Na capital paraense, existem 268 praças públicas registradas, segundo a Prefeitura de Belém.
Para quem frequenta esses ambientes, as praças representam muito mais do que áreas abertas. São espaços que fazem parte da rotina, guardam lembranças e permitem que as pessoas aproveitem a cidade de diferentes maneiras. No entanto, problemas como bancos quebrados e a falta de conservação de algumas estruturas podem dificultar o uso desses locais pela população. A presença de pessoas em situação de rua também faz parte da realidade de algumas praças e levanta questões sobre acolhimento, assistência social e o uso desses espaços públicos. Quando são bem cuidadas e planejadas, as praças ajudam a aproximar moradores, incentivar atividades físicas e fortalecer a convivência nos bairros.
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A coordenadora do curso de Arquitetura da Unama Ananindeua, Gabriela Martins, explica que as praças têm um papel importante na organização das cidades e no direito da população de ocupar os espaços públicos.
“A praça é um dos poucos lugares da cidade em que ninguém precisa pagar ou justificar a presença. Quem entra num shopping consome, quem está na rua normalmente está indo para algum lugar. Na praça a pessoa pode simplesmente ficar”, afirma.
Segundo Gabriela, esses locais também funcionam como pontos de referência, encontros e manifestações culturais. Para ela, uma cidade sem praças continua funcionando, mas perde espaços de convivência, lazer e contato entre as pessoas.
Praças fazem parte da rotina dos moradores
O livreiro Anderson Sales, de 48 anos, frequenta praças de Belém diariamente. Morador próximo à região do Basa, ele costuma levar o cachorro para passear na praça pelo menos cinco vezes por dia. Segundo Anderson, o animal gosta tanto do local que considera o espaço como uma segunda casa.
Entre as praças preferidas do livreiro estão a Praça da República e a Praça Batista Campos. Para ele, esses espaços têm importância tanto para o lazer quanto para a preservação da história e da cultura da capital.
Anderson destaca especialmente a Praça da República, que, segundo ele, tem uma relação importante com a história de Belém. O local era conhecido antigamente como Largo da Pólvora e continua sendo um dos espaços públicos tradicionais da cidade.
Anderson Sales, Livreiro (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)
A universitária Laís Brito, de 22 anos, também costuma passar pela Praça da República. Como faz estágio nas proximidades, ela atravessa o local durante as manhãs e aproveita o espaço sempre que tem oportunidade.
Para Laís, preservar as praças é fundamental porque elas fazem parte da identidade da cidade e oferecem opções de lazer para a população. Ela também costuma visitar esses locais aos domingos, quando tem tempo livre.
A estudante conta que gosta muito da Praça Batista Campos, que frequentava quando estudava nas proximidades. O espaço era um ponto de encontro para passear e conversar com amigos. A Praça Brasil também está entre as suas preferidas.
Na avaliação de Laís, as praças têm um papel importante na cultura e na preservação do patrimônio de Belém. Além de serem locais de passagem, elas permitem que moradores e visitantes aproveitem a cidade e mantenham contato com espaços históricos.
Laís Brito, Universitária, 22 anos (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)
Praças contribuem para a saúde e o bem-estar
Além de oferecerem locais para descanso e encontro, as praças podem contribuir para a saúde física e emocional dos moradores. De acordo com Gabriela Martins, a proximidade desses espaços com as residências facilita a prática de atividades cotidianas, como caminhar, levar crianças para brincar e utilizar academias ao ar livre.
A arquiteta também destaca que a convivência entre pessoas de diferentes idades e realidades sociais ajuda a criar vínculos com o bairro. Idosos, crianças, adolescentes, trabalhadores e famílias podem compartilhar o mesmo espaço, fortalecendo o sentimento de pertencimento à comunidade.
Outro ponto destacado pela coordenadora é a relação entre as praças e a cultura local. Apresentações musicais, rodas de capoeira, carimbó, feiras de artesanato e festas populares são algumas das atividades que podem ocupar esses ambientes.
Para Gabriela, a presença de vegetação também faz diferença no bem-estar da população, especialmente em uma cidade quente e úmida como Belém. “A praça arborizada funciona como uma pequena ilha de frescor dentro da ilha de calor”, explica.
Segundo ela, as árvores oferecem sombra, ajudam a reduzir o aquecimento do solo e tornam os espaços mais agradáveis para quem circula pela cidade. As áreas verdes também podem contribuir para a absorção da água da chuva, desde que o planejamento inclua pisos permeáveis, canteiros e solo vegetado.
A coordenadora ressalta, no entanto, que o plantio de árvores precisa considerar as características de cada local. A escolha das espécies, o espaço disponível para as raízes e os cuidados com a vegetação são importantes para evitar problemas nas calçadas e nas estruturas urbanas.
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Acessibilidade e manutenção são desafios
Para que as praças atendam a diferentes públicos, Gabriela Martins afirma que o planejamento precisa considerar as necessidades de quem utiliza esses espaços. Entre os pontos importantes estão calçadas em boas condições, rampas adequadas, caminhos sem obstáculos, bancos em áreas sombreadas, iluminação e equipamentos de lazer.
A arquiteta também destaca a importância de oferecer banheiros, bebedouros e lixeiras, além de garantir que a vegetação não esconda caminhos ou prejudique a visibilidade.
Segundo ela, o entorno também precisa ser considerado. Calçadas acessíveis, travessias seguras e estabelecimentos voltados para a rua ajudam a facilitar o acesso e incentivam a circulação de pessoas.
Outro desafio é a diferença entre as condições das praças em bairros centrais e periféricos. Gabriela avalia que o acesso ao lazer, à sombra e aos espaços de convivência não deve depender do endereço onde a pessoa mora.
A manutenção também precisa ser contínua. Para a coordenadora, a inauguração de um espaço público não é suficiente se não houver cuidados posteriores com limpeza, iluminação, poda das árvores e conservação dos equipamentos.
Ela defende ainda a participação dos moradores na criação e na manutenção desses ambientes. A comunidade conhece as necessidades do bairro e pode contribuir para que os projetos atendam melhor às pessoas que utilizam as praças.
As praças fazem parte da rotina de quem vive em Belém. Além de serem locais de descanso, lazer e encontro entre moradores, elas ajudam a preservar a história da cidade, oferecem contato com a natureza e contribuem para o bem-estar da população. (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)
Belém tem 268 praças públicas registradas
Em nota, a Prefeitura de Belém informou que a capital paraense possui 268 praças públicas registradas. Segundo o município, a conservação desses espaços envolve diferentes órgãos, que atuam conforme o tipo de serviço necessário.
A Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel) é responsável por serviços como limpeza, varrição, roçagem, coleta de resíduos e manutenção cotidiana. A secretaria também atua em obras de reforma e construção de praças e parques.
Já a Secretaria Executiva de Parques e Praças (Sepp) coordena projetos e ações nesses espaços, identifica locais que precisam de manutenção ou reforma, organiza intervenções e acompanha os serviços diários.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) atua na arborização e no paisagismo, incluindo o plantio e a manutenção de áreas verdes. A Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Seinfra), por sua vez, trabalha na recuperação de estruturas, na acessibilidade e em outras obras de infraestrutura.
De acordo com a Prefeitura, entre setembro de 2025 e setembro de 2026, foram realizadas ações de manutenção em 35 praças, parques e outros espaços públicos. Entre os locais atendidos estão as praças da República, Batista Campos, Dom Macedo Costa, Dom Pedro II, Brasil, Ipê Roxo, do Triângulo e do Marex, também conhecida como Praça Dom Mário de Miranda Villas Boas.
O município informou ainda que, em 2026, foram realizadas mais de 300 intervenções, incluindo pintura, roçagem, reparos em brinquedos, instalação de lixeiras, colocação de bancos de concreto e manutenção de playgrounds.
Praças fazem parte da rotina dos moradores (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)
Prefeitura prevê novos equipamentos para 2027
Ainda segundo a nota, a gestão municipal realizou a revitalização completa de 15 praças. A Prefeitura também prevê entregar 50 novos equipamentos públicos ao longo de 2027, incluindo espaços nos distritos de Mosqueiro, Outeiro e Icoaraci.
Os projetos poderão incluir acessibilidade, academias ao ar livre, áreas de convivência, brinquedos para crianças, parkfoods e espaços destinados aos animais de estimação. A definição dos equipamentos, conforme a administração municipal, depende do tamanho, da localização e das características de cada praça.
A Prefeitura informou que os projetos são elaborados após ouvir moradores do entorno, lideranças comunitárias e permissionários que trabalham regularmente nesses locais.
Entre os serviços previstos para os próximos meses estão a conclusão do reassentamento das pedras portuguesas nas praças Batista Campos e da República. Também estão programadas ações de manutenção em outros espaços, como a Praça David Alexandre, o Parque Linear da Doca e a Praça da Bandeira.
A administração municipal informou ainda que pretende continuar os trabalhos na Praça da República e concluir a manutenção de playgrounds no Conjunto Taboquinha, em Icoaraci, e na Pracinha de Breves, na Cidade Velha.
O Liberal