Liquidação da Cotribá: entenda o que acontece após decisão dos associados

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Fonte da notícia: Globo Rural Globo Rural

O processo de liquidação extrajudicial continuada da cooperativa Cotribá,de Ibirubá (RS) foi aprovado nesta terça-feira (20/10) em Assembleia Geral Extraordinária de seus associados. A decisão busca reorganizar uma severa crise financeira, marcada por um passivo acumulado de cerca de R$ 1,4 bilhão junto a instituições financeiras, fundos de investimento e produtores rurais.

Em 2026, a Cotribá registrou um faturamento de R$ 313 milhões, mas projeta fechar o ano com um prejuízo da ordem de R$ 164 milhões. Apesar de possuir um patrimônio bruto avaliado em aproximadamente R$ 800 milhões, cerca de 90% desse total encontra-se comprometido em garantias bancárias (como alienação fiduciária e hipotecas) ou penhoras. A medida foi adotada após o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (TJ-RS) rejeitar o pedido de recuperação judicial formulado pela entidade, por entender que sua natureza jurídica a impede de utilizar a Lei de Falências e Reestruturações (Lei nº 11.101/2005). Fundada em 1911, a cooperativa mais antiga do Brasil possui 11.393 associados e mais de 60 pontos de negócios no Estado, mantendo suas operações em pleno funcionamento. Leia também: Cooperativa mais antiga do Brasil, Cotribá tem liquidação aprovada O que é a liquidação extrajudicial continuada? Ao contrário de uma liquidação judicial tradicional, que busca a extinção imediata da empresa, o modelo com continuidade operacional preserva o CNPJ da Cotribá e mantém os mais de 60 pontos de negócios no Estado em pleno funcionamento.

O processo jurídico permite a suspensão das cobranças de dívidas por 12 meses, prorrogáveis por mais 12, garantindo fôlego e "blindagem de caixa" para a reorganização financeira. Com a mudança, a cooperativa passa a adotar a expressão "em liquidação" em sua razão social e contratos. Quem assume a gestão e como ela funcionará? O atual presidente da Cotribá, Sergio Strentzke, assumiu a função de presidente liquidante para gerir a transição e a reorganização dos ativos.

A gestão será compartilhada, com a atuação em conjunto de um conselho fiscal eleito — composto pelos titulares Paulo Prediger, Márcio Ribamar Garmatz e Ingo Alert, além de três suplentes —, juntamente com o apoio do departamento jurídico, do escritório de advocacia Weisheimer & Piccinini (responsável pelo processo de liquidação extrajudicial da Cooperativa Languiru) e pela consultoria financeira Tarvos. O atendimento aos associados e as entregas dos produtores rurais continuam garantidos? A entrega da safra agrícola de soja, milho e trigo, bem como o recebimento de leite e o funcionamento dos supermercados e da fábrica de rações, continuam garantidos e sem risco de retenção por arrestos judiciais, informou o atual presidente.

A participação na CCGL será vendida? Não, a participação acionária da Cotribá na Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL) não será vendida. Segundo a Cotribá, o desligamento renderia menos de R$ 500 mil devido a regras estatutárias. Haverá apuração de irregularidades das gestões anteriores? Sim, a abertura da liquidação não interromperá as apurações de eventuais falhas administrativas passadas.

Uma auditoria investigativa externa e independente será contratada para analisar em detalhes as gestões anteriores, e as provas cabais encontradas serão encaminhadas aos órgãos responsáveis. Como será feita a renegociação das dívidas e a prestação de contas aos associados? A cooperativa buscará negociar com instituições financeiras e fundos para renegociar o passivo de forma sustentável, além de atuar de forma rigorosa para reaver créditos pendentes com terceiros e produtores devedores.

Para assegurar a transparência, a Cotribá implementará um portal de transparência e prestará contas periodicamente por meio de assembleias ordinárias a cada seis meses, apresentando relatórios e balanços detalhados.

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