Pré-contrato com o Brusque não apaga o trabalho realizado de Raul Cabral no Figueirense. O treinador segue comprometido com a conquista da Copa Santa Catarina e, pelo contexto, se entende a escolha
Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria. A informação antecipada pelo colega Rodrigo Santos, de Brusque, de que Raul Cabral teria assinado um pré-contrato com o Brusque foi confirmada por nossa apuração em Florianópolis.
O treinador deve seguir normalmente no comando do Figueirense até o encerramento da Copa Santa Catarina, com o objetivo de conquistar o título. Vejo a situação com absoluta naturalidade e não há motivos para transformar uma decisão profissional em polêmica.
Raul tem 45 anos e está construindo seu espaço no mercado do futebol. Fez um trabalho positivo no Figueirense, especialmente quando se considera o cenário que encontrou.
Assumiu a equipe na terceira rodada da Série C, depois de um rebaixamento estadual e de trabalhos anteriores que não deixaram uma boa herança (Waguinho Dias e Márcio Zanardi). Raul precisou reorganizar o grupo, buscar uma identidade e administrar um elenco numeroso, sem qualquer possibilidade de contratação por causa do transfer ban decorrente da dívida com o Cascavel.
Também enfrentou lesões importantes, perdeu jogadores, precisou administrar atletas experientes e jovens e conviveu com salários atrasados durante a Série C e a Copa Santa Catarina. Mesmo diante de tantas dificuldades, o Figueirense não flertou efetivamente com o rebaixamento para a Série D e chegou a ter possibilidades, remotas é verdade, de classificação na competição nacional.
Na Copa Santa Catarina, o trabalho ganhou consistência. A equipe garantiu a primeira colocação com uma rodada de antecedência e avançou às semifinais duas rodadas antes do encerramento da fase classificatória.
Houve erros e escolhas questionáveis, como em jogos contra Ferroviária e Guarani na Série C, mas o balanço do trabalho é positivo. Agora, convenhamos: o Figueirense vive uma indefinição enorme para 2027.
Não sabe qual será o orçamento, o calendário e nem quem estará à frente da gestão da SAF. Por que Raul deveria deixar de planejar seu futuro diante de uma oportunidade profissional?
O treinador tem o direito de pensar na própria carreira, assim como qualquer trabalhador. E isso não significa abandonar o Figueirense ou desrespeitar o compromisso assumido.
Pelo contrário: continua trabalhando para entregar um título importante ao clube, aos jogadores e ao próprio currículo. Se a saída para o Brusque se confirmar ao final da Copa Santa Catarina, não vejo motivo para rusgas ou despedidas pela porta dos fundos.
É o futebol, mas também é o mercado de trabalho. Faz parte.
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