No futebol, os grandes jogadores não se intimidam e, pelo contrário, crescem nas partidas decisivas. No surfe, isso não é diferente.
Foi justamente o que Gabriel Medina fez ao virar baterias nos últimos minutos e conquistar, nesta terça-feira, a etapa inédita da elite nas Filipinas, após um jejum de mais de três anos sem levantar um troféu — havia vencido em Margaret River-AUS, em abril de 2023. — Tive que confiar no processo.
Prometi que iria ganhar pelo menos uma etapa neste ano. É isso, eu amo a pressão — celebrou Medina.
Sob as orientações do padrasto Charlão, seu amuleto da sorte, e do técnico Adriano de Souza, o Mineirinho, o tricampeão chegou à sua quarta final no ano (Margaret River, Fiji e Peniche-POR). Mas, desta vez, não deu brecha para o azar e superou o australiano Jack Robinson, que havia eliminado o brasileiro naquela fatídica bateria "sem ondas" em Teahupoo, no Taiti, durante a Olimpíada de 2024.
Se o sonho do tetra pareceu distante em certo momento da temporada, ele está mais vivo do que nunca, com a decisão no melhor palco possível: Pipeline, no Havaí. Isso porque Medina coleciona boas lembranças por lá: já são cinco finais, com um título (2018) e quatro vices (2014, 2015, 2019 e 2020/2021).
Apesar de ocupar a segunda posição, atrás do também brasileiro Yago Dora, o tricampeão é virtualmente o líder por conta da regra dos três descartes da temporada. Yago Dora (à esquerda) e Gabriel Medina em Bells Beach, na Austrália
WSL/Divulgação De acordo com o regulamento, nove das 12 etapas entram na classificação final.
E Medina leva vantagem sobre Yago no terceiro descarte (1.000 a 3.320 pontos, respectivamente). Isso significa que, se ambos forem eliminados na mesma fase em Pipeline, o surfista de Maresias-SP terminará a temporada 580 pontos à frente.
Por outro lado, quem vencer a última etapa será campeão mundial, independentemente dos resultados dos adversários. Italo Ferreira, o americano Griffin Colapinto, Miguel Pupo e o italiano Leonardo Fioravanti seguem matematicamente com chances de título, mas precisam torcer por tropeços de Medina e Yago.
O campeão mundial e medalhista de ouro olímpico é o único dos outros quatro postulantes que pode ser campeão sem vencer em Pipeline. Para isso, caso termine como vice, os dois primeiros do ranking terão que ser eliminados, no máximo, em nono.
As múltiplas contas e cenários dão a dimensão da disputa acirrada. Além da situação favorável no ranking, Medina está mais acostumado a vivenciar esse tipo de pressão desde que se tornou o primeiro brasileiro campeão mundial, em 2014.
Yago, por sua vez, tem totais condições de bater de frente e conquistar o segundo título consecutivo. Seja quem for o campeão, a Brazilian Storm tem tudo para ampliar sua impressionante hegemonia: oito conquistas nos últimos 11 anos.
O Globo