Pornografia demais, sexo de menos? Quando a tela começa a ocupar o lugar do desejo

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Fonte da notícia: Extra Extra

O Brasil está entre os maiores consumidores de pornografia on-line do mundo — segundo o relatório anual de tendências do Pornhub, o Brasil ficou na quarta posição entre os países com mais acessos à plataforma em 2025. Mas o que acontece quando a pornografia deixa de ser um estímulo ocasional e passa a ocupar o centro da vida sexual?

O consumo frequente muda a forma de perceber o próprio desempenho, cria expectativas difíceis de reproduzir fora da tela e interfere na maneira como vivenciam o sexo na vida real. Um estudo publicado em janeiro de 2025 na revista científica Health Communication intitulado: " Gender Differences in the Association between Pornography Use and Sexual Satisfaction: Further Meta-Analytic Evidence (Diferenças de gênero na associação entre o uso de pornografia e a satisfação sexual: novas evidências de uma meta-análise, em tradução livre) encontrou uma associação negativa significativa entre consumo de pornografia e satisfação sexual entre homens.

Ou seja, quanto maior o consumo, menor tende a ser a satisfação sexual da parte deles. “Na pornografia, o homem vê corpos, ereções, duração e práticas apresentados de uma forma muito específica.

Com o consumo frequente, essas imagens passam a funcionar como referência para a vida real e moldam suas expectativas sobre como o sexo deveria acontecer. Ele começa a comparar o próprio corpo e desempenho com o que vê na tela e pode passar a enxergar como falha situações que são naturais na sexualidade, como variações na ereção, no desejo e no tempo da relação”, explica Lucimar Ghelfi, psicóloga, psicoterapeuta sexual e cofundadora da Lucy, empresa especializada em terapia cognitivo-comportamental para saúde sexual masculina.

Segundo a especialista, a pornografia em excesso alimenta a insegurança com o tamanho do pênis, o medo de não manter a ereção, a ansiedade com o tempo da ejaculação e até a expectativa sobre como uma parceira deveria responder. Além disso, entrega um estímulo controlado, intenso e repetitivo.

"Quando a excitação passa a depender desse cenário, o sexo fora da tela pode simplesmente perder a graça. Por isso, reduzir a exposição a esse estímulo é parte do caminho para que o desejo volte a responder ao que acontece fora da tela", afirma Ghelfi.

O consumo frequente também costuma interferir na maneira como os homens respondem sexualmente no momento do ato, tornando mais difícil sentir excitação, prazer ou chegar ao orgasmo sem aquele estímulo. Quando isso acontece, o conselho é: diminuir o consumo, buscar tratamento e não enfrentar a situação sozinho.

“Não é apenas uma questão de conseguir ou não fazer sexo sem pornografia. É importante que o homem consiga sentir desejo e prazer sem depender dela.

Quando a excitação fica condicionada à tela, é preciso trabalhar para recuperar uma resposta sexual mais ampla”, explica a especialista. Segundo ela, o principal sinal que não deve ser ignorado é perceber que precisa cada vez mais da pornografia para se excitar, que o sexo real perdeu estímulo ou que surgiram dificuldades que antes não existiam.

Nesses casos, uma avaliação especializada pode identificar os fatores envolvidos e indicar o tratamento mais adequado para cada situação, podendo envolver psicoterapia sexual e outras abordagens, de acordo com as necessidades de cada homem. “Sexo não acontece como um vídeo.

Existe comunicação, desejo, insegurança, variação de ritmo e respostas diferentes de cada pessoa. Quando o homem deixa de viver a experiência e passa a se observar o tempo todo para saber se está correspondendo, ele pode acabar se tornando espectador da própria relação”, afirma.

Publicação Original Extra extra.globo.com
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