Por R$ 13 mil, CPAC vende acesso a Flávio Bolsonaro e jantar em propriedade de Trump

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Fonte da notícia: Carta Capital Carta Capital

O evento da extrema-direita terá jantar de gala, golfe, piscina e restaurantes sofisticados. O senador dividirá palco com ator de ‘Dark Horse’, enquanto Eduardo é apresentado como deputado ‘em exílio’

A Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) realiza entre esta quarta-feira 4 e o sábado 7 um encontro de lideranças da extrema-direita internacional em Mar-a-Lago, propriedade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Flórida. O evento tem ingressos a partir de 2,5 mil dólares (cerca de 13,2 mil reais).

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ex-deputado federal, são dois dos destaques entre os palestrantes. Flávio está na programação do jantar de gala da quinta-feira 5, ao lado do ator Jim Caviezel, escolhido para interpretar Jair Bolsonaro (PL) no filme Dark Horse.

A “obra” cinematográfica é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal, já que é o suposto destino de um repasse de 61 milhões de reais – de 134 milhões prometidos – do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro. A Polícia Federal apura se os recursos provenientes das fraudes do Banco Master foram usados para custear as despesas de Eduardo nos EUA ou para caixa dois na campanha presidencial derrotada de Flávio.

Entre os temas apresentados pela CPAC estão o combate ao “comunismo” e ao “socialismo”, a suposta ameaça dessas correntes às instituições democráticas, a suposta “instrumentalização da Justiça” contra conservadores, a defesa da dignidade humana e pautas ligadas ao movimento antiaborto, à imigração e ao combate ao tráfico de pessoas.

A organização também prevê discussões sobre o futuro do movimento conservador nos EUA e sua expansão internacional, com o objetivo de ampliar a influência da CPAC em outros países. O encontro desta quarta foi organizado como um “retiro de luxo”, com jantares privados, brunches, atividades de relacionamento e opções de lazer.

Há pacotes com acesso a sessões reservadas, assentos prioritários, jantar à beira da piscina e até um brunch chamado Women Warriors. O ingresso mais barato, de 2,5 mil dólares, dá acesso apenas à gala.

Por 5 mil, o participante também pode frequentar o jantar na piscina. O pacote VIP custa 7,5 mil dólares e inclui atividades adicionais.

Já a categoria Co-Host, de 25 mil dólares, oferece acesso privilegiado a todos os eventos, encontros com palestrantes e jantares exclusivos. A organização também dedica espaço à gastronomia de Palm Beach.

Entre as recomendações estão o Flagler Steakhouse, especializado em carnes maturadas; o Renato’s, de culinária italiana; e o Sant Ambroeus, que oferece massas e pizza de trufas. A programação de lazer destaca ainda campos de golfe, spas e resorts da região.

Na divulgação do evento, Eduardo Bolsonaro é identificado em inglês como “Member of the Chamber of Deputies in Exile”, ou integrante da Câmara dos Deputados em exílio. A descrição, porém, não corresponde à sua situação institucional.

Ele perdeu o mandato em dezembro de 2025, após faltar a pelo menos um terço das sessões deliberativas da Casa. Peça promocional do evento da extrema-direita identifica Eduardo Bolsonaro como um “honrável” deputado em “exílio”.

Foto: Reprodução/CPAC Eduardo vive nos EUA desde março de 2025, quando deixou o Brasil para atuar junto ao governo norte-americano contra os brasileiros.

Ele é um dos principais atores da pressão da gestão Trump contra autoridades brasileiras, que envolve o tarifaço, a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes e a suspensão de vistos de ministros do STF. A participação de Flávio também retoma sua passagem pela CPAC no Texas, em março.

Na ocasião, o senador apresentou o Brasil como solução para que os EUA reduzissem a dependência da China na obtenção de minerais críticos, especialmente terras raras. “Sem esses componentes, a inovação tecnológica americana torna-se impossível e a produção do sistema militar avançado que mantém a superioridade americana cai nas mãos dos adversários”, afirmou.

Flávio destacou a importância dos minerais para a inteligência artificial e os equipamentos de defesa dos EUA. Agora, o senador volta a discursar em um evento ligado ao trumpismo depois de fugir do Brasil em 28 de outubro, após a derrota na eleição presidencial.

Desde então, permanece nos EUA, onde busca ampliar a articulação internacional do bolsonarismo.  Vinícius Nunes Repórter de CartaCapital baseado em Brasília.

Cobre os Três Poderes. Já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News.

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