Presidente passou por exames no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo; histórico de câncer e procedimentos médicos voltou a despertar dúvidas sobre seu estado de saúde Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
O presidente Lula (PT), de 81 anos, não recebeu um novo diagnóstico de câncer. Os exames realizados na terça-feira (3), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, apresentaram resultados “dentro da normalidade”, segundo o boletim médico divulgado pela instituição.
A avaliação ocorreu meses depois de Lula passar por um tratamento contra um carcinoma basocelular, tipo de câncer de pele identificado no couro cabeludo em abril de 2026. O tumor foi retirado cirurgicamente, e o presidente também realizou sessões de radioterapia preventiva.
O histórico médico voltou a chamar atenção após a passagem do presidente pelo hospital, mas os resultados não apontam um novo diagnóstico da doença. Lula esteve no Hospital Sírio-Libanês na terça-feira (3) para realizar exames de rotina previamente agendados.
O boletim médico publicado às 23h informou que todos os resultados estavam dentro dos parâmetros considerados normais. O presidente foi acompanhado pelo cardiologista Roberto Kalil Filho e pela infectologista Ana Helena Germoglio, integrantes de sua equipe médica.
A passagem pelo hospital estava relacionada à realização dos exames. Na quarta-feira (4), o presidente seguiu sua agenda habitual de trabalho, sem anúncio de afastamento por motivos de saúde.
Em abril deste ano, Lula foi diagnosticado com um carcinoma basocelular no couro cabeludo. A doença é considerada o tipo mais comum de câncer de pele e, geralmente, apresenta crescimento lento e baixo risco de disseminação para outros órgãos.
O presidente passou por uma cirurgia para retirar a lesão cancerígena e, posteriormente, realizou radioterapia superficial como medida complementar para reduzir o risco de retorno do tumor. A indicação desse tratamento não significa necessariamente que o câncer tenha se espalhado.
Em determinados casos, a radioterapia é recomendada mesmo após a retirada da lesão, especialmente quando existem características que aumentam a possibilidade de recorrência no mesmo local. Segundo o oncologista Rodrigo Guedes, especialista em câncer de pele e diretor da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica), fatores como margens cirúrgicas comprometidas, invasão de estruturas próximas aos nervos ou histórico de reaparecimento do tumor podem justificar o tratamento complementar.
O especialista destaca que o carcinoma basocelular costuma apresentar prognóstico favorável, com chances de cura superiores a 90%, dependendo das características da doença. Após o tratamento, o acompanhamento médico é importante para identificar precocemente possíveis novas lesões ou sinais de recorrência.
O carcinoma basocelular não foi o primeiro diagnóstico de câncer enfrentado por Lula. O presidente também passou por tratamentos e cirurgias importantes ao longo dos últimos 15 anos.
Em outubro de 2011, Lula foi diagnosticado com um tumor de aproximadamente três centímetros na laringe, região da garganta responsável pela produção da voz. O então ex-presidente passou por quimioterapia e radioterapia, concluindo o tratamento em fevereiro de 2012, sem sinais posteriores de retorno da doença.
Em 2022, uma avaliação identificou uma leucoplasia nas cordas vocais, lesão que pode apresentar risco de transformação maligna. O tecido foi retirado e analisado, mas a biópsia não identificou um novo câncer.
Em outubro de 2024, Lula sofreu uma queda no banheiro do Palácio da Alvorada, em Brasília, e bateu a parte de trás da cabeça. Embora os exames iniciais não tenham apontado complicações imediatas, o presidente apresentou uma hemorragia intracraniana em dezembro, relacionada ao acidente.
Ele precisou passar por procedimentos para tratar o sangramento e reduzir o risco de novas complicações, incluindo uma trepanação e uma embolização da artéria meníngea média. Após a recuperação, Lula foi liberado para retomar suas atividades em janeiro de 2025, sem sequelas relatadas.
Em abril de 2026, Lula recebeu o diagnóstico de carcinoma basocelular no couro cabeludo, passou pela retirada cirúrgica da lesão e realizou radioterapia complementar. Já em novembro, retornou ao Hospital Sírio-Libanês para exames de rotina, cujos resultados foram considerados normais pela equipe médica.
Os procedimentos de novembro não foram apresentados como consequência de um novo diagnóstico de câncer. O acompanhamento médico do presidente é realizado por uma equipe que inclui Roberto Kalil Filho e Ana Helena Germoglio.
Kalil é cardiologista, ligado ao Hospital Sírio-Libanês e ao InCor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O especialista acompanha Lula há anos e participa da avaliação de seu estado de saúde.
Já Ana Helena Germoglio é infectologista e integra a equipe médica da Presidência da República desde 2023. Ela acompanha o presidente em compromissos oficiais e viagens nacionais e internacionais, além de atuar na coordenação de saúde do Palácio do Planalto.
Ambos foram citados no boletim médico referente aos exames realizados em 3 de novembro. A repercussão sobre a saúde de Lula ganhou força após sua ida ao Hospital Sírio-Libanês, na terça-feira (3), e a divulgação dos resultados dos exames.
Ao mesmo tempo, publicações que retomaram o diagnóstico de câncer de pele recebido em abril voltaram a circular, aproximando dois acontecimentos de períodos diferentes: o tratamento do carcinoma basocelular e a avaliação médica realizada em novembro. Essa associação pode provocar dúvidas sobre a existência de um novo tumor, embora o boletim mais recente não tenha comunicado qualquer diagnóstico de câncer.
Carolina Sott é repórter e editora no ND Mais, onde acompanha de perto os movimentos da política, segurança pública e economia no Brasil. Atuante na área desde 2020, é formada em Jornalismo pela Uniplac (Universidade do Planalto Catarinense) e tem MBA em Jornalismo Digital.
Escreve matérias que revelam bastidores, contextualizam disputas de poder e mostram, de forma clara, como decisões feitas no alto escalão impactam o cotidiano dos brasileiros. Interessada pelo que move Brasília, São Paulo e outras capitais, costuma ler sobre política e assuntos relevantes para o cenário político e social.
Indicada ao prêmio Microfone de Ouro da Acaert, já passou por portal de notícias e rádio, onde produziu e apresentou conteúdos que traduzem escolhas complexas para a vida das pessoas. Cobriu as Eleições Municipais em Lages (2020) e Florianópolis (2024), além de trabalhar na cobertura das Eleições Gerais de 2022 em um portal de notícias.
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