Por que seu próximo cupom fiscal pode ter cheiro de cereja

Por que seu próximo cupom fiscal pode ter cheiro de cereja - Foto
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Regispel ultrapassa 2 milhões de mídias aromatizadas e consolida Aromomídia como solução de marketing sensorial no varejoFoto: Divulgação Pense no último cupom fiscal que você recebeu no supermercado. As chances são grandes de que ele tenha ido parar no fundo da sacola, na lixeira ao lado do caixa ou amassado no bolso.

Pois é justamente esse papel, o mais ignorado da jornada de compra, que uma empresa decidiu transformar em mídia, e com cheiro.A tecnologia se chama Aromomídia e foi desenvolvida pela Regispel, empresa com atuação em automação comercial e bancária. A bobina térmica da impressora do caixa é aromatizada e o cupom sai com uma mensagem publicitária no verso e um perfume ligado ao produto anunciado.

Desde a estreia comercial, em 2025, foram mais de 2 milhões de mídias aromatizadas.O cupom fiscal que tem cheiro de produtoA ideia é engenhosa porque não cria um novo ponto de contato. Usa um que já existe.

Todo consumidor recebe um cupom fiscal ao pagar a compra e a marca aproveita esse momento para aparecer.Mais do que isso: o papel pode ir para casa. A mensagem, em teoria, continua circulando depois que o cliente sai da loja."Estamos transformando um elemento presente na rotina de milhões de consumidores em uma nova oportunidade de comunicação para as marcas", afirma Giancarlo Pizzutto, diretor de Marketing da Regispel.Por que apostar no olfatoO cheiro é um dos atalhos mais rápidos para a memória.

Um aroma pode levar alguém de volta à infância, a uma viagem ou a um almoço de família em segundos. É por isso que a publicidade sempre teve interesse nele.Mesmo assim, ele continua pouco explorado. A comunicação no ponto de venda é dominada pelo visual: cartazes, gôndolas decoradas, telas e embalagens coloridas.

Pizzutto lembra exatamente isso ao dizer que o olfato é um estímulo menos explorado do que a visão.Num corredor de supermercado em que todo mundo grita com cores e ofertas, um cheiro inesperado pode chamar mais atenção do que mais um cartaz.Panetone, perfume e cerejaAs três campanhas já realizadas mostram usos diferentes da tecnologia.

A estreia foi em novembro de 2025, com a Bauducco e o Marsil Atacadista. O cupom e os tíquetes de estacionamento ganharam o cheiro do panetone, com o mote "Sinta o cheirinho mágico do Bauducco Panettone neste cupom!".É o caso mais redondo.

O aroma do panetone é conhecido por todo brasileiro e já vem carregado de lembranças de fim de ano. O cupom não apresenta o produto.

Ele desperta a vontade.Em maio de 2026, a Ypê levou a fragrância da linha Banho a Banho aos cupons dos Supermercados Guarani, no Dia das Mães. A ação incluiu o Cupom Solidário, iniciativa da Regispel com o Instituto Ayrton Senna que destina parte da receita da venda das bobinas a programas educacionais.Mais recentemente, em 27 de outubro, foi a vez da Baly.

Na inauguração de uma loja do Royal Supermercados em Barra Mansa, no Sul Fluminense, os cupons saíram com cheiro de cereja para divulgar o Baly Cereja. A lata faz parte da campanha "Vai de Baly, Vai por Elas", que destina 100% do lucro de um milhão de unidades a projetos de apoio a mulheres.O desafio é sobreviver ao lixo do caixaA ideia é criativa, mas enfrenta um adversário poderoso: o hábito.

Muita gente nem pega o cupom e muitos dos que pegam o descartam em segundos. Cada vez mais, o comprovante também vai direto para o celular, em vez de ser impresso.Outro passo importante será mostrar resultados.

Os mais de 2 milhões de mídias já entregues comprovam que a tecnologia funciona em escala. A próxima etapa é medir como o aroma influencia a lembrança da marca e a decisão de compra, informação que deve ajudar a atrair novos anunciantes.A escolha das fragrâncias também merece atenção.

Cheiro é algo muito pessoal. Consequentemente, acertar no aroma e na intensidade faz parte do desafio.

Quando bem dosado, ele surpreende de forma agradável e deixa uma boa lembrança da marca.O que fica da iniciativaA primeira lição é que nem toda inovação precisa de tela. Às vezes, a novidade está em olhar de outro jeito para algo que já faz parte da rotina, como um pedaço de papel que todo mundo recebe.A segunda é que a criatividade precisa vir acompanhada de resultados.

A Regispel quer levar a Aromomídia a farmácias, lojas de conveniência, perfumarias e ao entretenimento em 2027, e transformar ações pontuais em campanhas recorrentes. Para isso, terá de mostrar que o cheiro também vende.O cupom fiscal passou décadas sendo o papel que ninguém queria guardar.

Se a tecnologia der certo, talvez ele vire o único anúncio que o consumidor leva para casa sem perceber.

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