Por que Macron discursou de óculos escuro na Suíça? Entenda
Em discurso no Fórum Econômico de Davos, na Suíça, o presidente da França, Emmanuel Macron, fez diversas indiretas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio a tensão na Groenlândia. Mas um dos aspectos que mais chamou atenção do discurso de Macron não foram as falas e sim sua vestimenta. Ele estava com um terno tradicional e um óculos escuro esportivo.
A decisão não é nova, já que o francês apareceu assim em outros compromissos recentes. Essa escolha foi por ele estar com um sangramento em um vaso no olho direito, deixando ele vermelho. Segundo o governo francês, o caso é ‘benigno’ e não há riscos.
No discurso, Macron defendeu que as estruturas que permitem resolver acordos mundialmente estão sendo enfraquecidas.
Ele afirmou que a governança coletiva dá lugar a uma competição ‘implacável’ e diz que os EUA ‘exigem concessões máximas e visam abertamente enfraquecer e subordinar a Europa’, criticando ainda a ‘acumulação de novos territórios’.
Ele também fala sobre a ‘enorme capacidade ociosa’ da China e as ‘práticas distorcidas’ que buscam ‘sobrecarregar’ alguns setores.
‘A solução para esse problema passa por mais cooperação e pela criação de novas abordagens, e é claramente a construção de maior soberania econômica e economia estratégica, especialmente para os europeus, que, para mim, é a resposta fundamental’, continua.
Macron defende que a escolha é entre ‘aceitar passivamente a lei do mais forte’, o que levaria à ‘vassalização e à política de blocos’ e a uma ‘nova abordagem colonial’ ou defender um ‘multilateralismo eficaz’ que atenda aos nossos interesses.
O francês afirma que a soberania e a independência nacionais são partes fundamentais disso e que o recente envio de tropas francesas para a Groenlândia fez parte de uma ação para defesa do território. Segundo ele, isso sem ameaçar ninguém, ‘mas apoiando um aliado e outro país europeu’.
Presidente da França, Emmanuel Macron, discursa no Fórum Econômico de Davos, na Suíça.
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UE quer aumentar investimentos na Groenlândia ao lado dos EUA
Em uma declaração nesta terça-eira (20) no Fórum Econômico de Davos, na Suíça, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco pretende aumentar os investimentos na região do Ártico, a que abrange a Groenlândia.
O território, dominado majoritariamente controlado por países europeus (especialmente a Dinamarca), é alvo dos Estados Unidos, que buscam controlar as matérias-primas da região.
‘Compartilhamos objetivos de segurança no Ártico com os Estados Unidos. A Finlândia está investindo em forças capazes de operar no Ártico. As novas tarifas propostas são um erro. Na política, como nos negócios, um acordo é um acordo, e um aperto de mãos deve significar algo’.
‘Nossa resposta será intransigente, unida e proporcional. Mas precisamos ser estratégicos em relação à nossa abordagem à segurança do Ártico. Haverá um aumento maciço no investimento europeu na infraestrutura da Groenlândia e trabalharemos com os Estados Unidos na segurança do Ártico’, completou.
Em meio a crise sobre a tentativa do governo Donald Trump de controlar a Groenlândia, a primeira-ministra da Dinamarca se pronunciou. Em um discurso no Parlamento, Mette Frederiksen afirmou que o pior sobre a tensão ainda está ‘por vir’.
Ela defendeu que soberania, identidade, fronteiras e democracia não são negociáveis. Além disso, continuou defendendo que era um capítulo ‘sombrio’.
Frederiksen afirmou que, se alguém iniciasse uma guerra comercial com a Europa, ‘é claro que responderíamos’.
A Dinamarca controla atualmente a maior parte do território da Groenlândia, que é visado pelos Estados Unidos. A região é rica em diversas matérias-primas, além de ser considerada estratégica por conta da influência russa e chinesa no Ocidente, algo que vem sendo debatido diretamente por Trump.
Nesta quarta-feira (21), Trump fará um discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos. A expectativa é que ele fale abertamente sobre a situação geopolítica.
Ele também possui uma reunião com líderes europeus para discutir a situação.
Além dele, são esperados líderes europeus como o presidente da França Emmanuel Macron, o presidente da Espanha Pedro Sánchez, o chanceler da Alemanha Friedrich Merz e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, além de outras lideranças políticas.
O Brasil será representado pela ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck.
Macron diz não entender posição americana sobre a Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou nesta terça-feira (20) capturas de tela de uma conversa privada com o presidente francês Emmanuel Macron.
A publicação foi feita nas redes sociais de Trump após os líderes europeus marcarem uma reunião de emergência na próxima quinta-feira (22), em Bruxelas, para discutir a situação da Groenlândia.
Macron se ofereceu a Trump para organizar uma reunião com os países do G7, Rússia, Dinamarca, Ucrânia em Paris, também na tarde de quinta (22).
Nas mensagens, Macron afirma que não entende as ações do presidente americano em relação à Groenlândia, que os países estão alinhados em relação à Síria e que eles podem fazer grandes coisas em relação ao Irã.
De acordo com a agência de notícias Reuters, fontes próximas ao presidente francês confirmaram a veracidade das mensagens. No entanto, Trump não informou quando essas mensagens foram enviadas.
A publicação também foi feita após ameaças de uma tarifa de 200% sobre vinhos franceses e champagne.
Trump diz que derrota no Nobel justifica invasão à Groenlândia
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar a tensão diplomática com a Europa ao relacionar as ameaças de tentar assumir o controle da Groenlândia ao fato de não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz. Em uma carta enviada ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, Trump afirmou que não se sente mais obrigado a pensar na paz porque o Comitê Nobel norueguês não lhe concedeu o prêmio.
Na mensagem, Trump citou diretamente as pressões e ameaças em relação à Groenlândia como consequência dessa frustração. Em resposta, o primeiro-ministro norueguês divulgou um comunicado afirmando que explicou claramente ao ex-presidente que o Nobel da Paz é concedido por um comitê independente, e não pelo governo da Noruega.
Diante da escalada de tensões, a União Europeia anunciou que vai realizar uma reunião nesta quinta-feira (22) para discutir a situação envolvendo a Groenlândia e as ameaças feitas por Trump. O encontro ocorre depois de o ex-presidente afirmar que pretende impor tarifas a países europeus que se oponham à tentativa de anexação da ilha.
A Groenlândia é um território autônomo sob soberania da Dinamarca, país que integra a União Europeia. No sábado, Trump anunciou que pretende aplicar uma tarifa de 10% a oito países da Europa a partir de 1º de fevereiro, caso não concordem com seu plano. Segundo ele, essa tarifa pode subir para 25% a partir de 1º de junho se a oposição continuar.
No domingo, embaixadores dos 27 países-membros da União Europeia se reuniram em caráter emergencial para alinhar uma resposta conjunta às ameaças. De acordo com informações da Reuters, o presidente francês Emmanuel Macron defendeu que o bloco acione um instrumento conhecido como “bazuca comercial”, que poderia bloquear o acesso de produtos americanos aos mercados europeus.
Esse plano de contingência em estudo prevê inclusive um pacote de tarifas de retaliação contra produtos dos Estados Unidos, com impacto financeiro estimado em 93 bilhões de euros. Nesta segunda-feira, o ministro de Finanças da França, Roland Lescure, afirmou que vai convocar uma reunião com os países do G7 para discutir questões de comércio e soberania.
Também nesta segunda, Trump afirmou que a Dinamarca falhou em afastar a ameaça russa da Groenlândia e que chegou a hora de isso ser feito, reforçando o tom das ameaças envolvendo tarifas. Na semana passada, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia chegaram a enviar tropas para a Groenlândia para reforçar a segurança da ilha.
