Gatos correndo, brincando e derrubando tudo de madrugada costumam atiçar a curiosidade dos tutores. Afinal, de onde vem tanta energia? A ciência explica: de um instinto ancestral, além do acúmulo de energia ao longo do dia.
O veterinário João Paulo Lacerda explica que a espécie é classificada principalmente como crepuscular, tendo picos naturais de atividade ao amanhecer e ao entardecer. A falta de estímulos enquanto o tutor está fora faz com que o animal use a noite para simular caçadas.
Entender o ritmo biológico e as necessidades do animal permite ajustar a rotina doméstica e garantir noites mais tranquilas para toda a família. Os gatos domésticos ainda têm comportamentos herdados de seus ancestrais selvagens, cuja caça era melhor em horários de pouca luz.
Quando passa o dia sozinho e sem desafios, o gato acumula energia e aproveita o silêncio da noite para correr, saltar e perseguir alvos imaginários pela casa, como cortinas ou os pés do próprio tutor. O especialista reforça que a ausência de brincadeiras ao longo do dia intensifica essa necessidade:
“Principalmente para gatos que vivem exclusivamente dentro de casa, a falta de brincadeiras, exploração, desafios e oportunidades de caça simulada pode contribuir para o aumento da atividade noturna.” Se o tutor passa o dia fora, o gato descansa por muitas horas e fica ativo justamente quando a pessoa retorna.
Oferecer petiscos ou atenção toda vez que o animal mia de madrugada acaba reforçando o hábito indesejado sem que o dono perceba. Mudanças repentinas de comportamento em animais idosos exigem atenção médica, pois dores articulares e problemas neurológicos também causam inquietação.
Para garantir uma noite tranquila, o ideal é fazer sessões de brincadeiras interativas com varinhas antes de dormir, incentivando o animal a correr e capturar brinquedos. Essa atividade gasta a energia acumulada e permite que o gatinho expresse seu comportamento predatório de forma saudável.
Oferecer a última refeição logo após a brincadeira ajuda a fechar o ciclo natural de caçar, comer e descansar. O professor do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê) explica que disponibilizar brinquedos seguros e evitar responder aos miados na madrugada impede que o gato associe a noite a um momento de busca por recompensa.
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