Por que Final Fantasy VII ainda emociona tanta gente
Lançado em 1997, Final Fantasy VII foi um grande marco na história dos JRPGs.
O primeiro grande projeto da Squaresoft para o PS1, a primeira aventura 3D de uma franquia emblemática e também o primeiro contato dos jogadores com a presença de 3 discos simultâneos no encarte. 10 jogos que fizeram o PS1 virar febre no Brasil 5 videogames que mais marcaram o Brasil de verdade Porém, não foi apenas isso que imprimiu sua digital em toda uma geração.
A figura de Cloud ilustrada em quase todas as revistas de detonados, a dificuldade de compreender a trama em inglês, a briga para descolar uma cópia para jogar no fim de semana e continuar a jornada e os incontáveis saves no memory card contam uma grande narrativa.
Se “fora de jogo” a experiência virou um ícone dos videogames, a própria narrativa elevava tudo à décima potência.
Somado à escala cinematográfica do título, ele não era apenas “mais um” lançamento em meio aos demais.
Era “o” jogo que todos deveriam observar, um modelo que os demais seguiriam em um futuro próximo. -Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.- Quatro gerações já se passaram e até mesmo remasterizações e remakes da saga foram lançados.
Contudo, por qual razão Final Fantasy VII continua relevante nos dias atuais e emociona tanta gente? Nós do Canaltech explicamos o impacto que a franquia traz e por que deve dar uma chance ao original nos dias atuais.
Confira: Quem viveu este momento emblemático sabe que, a partir disso, Final Fantasy VII se torna cada vez melhor (Imagem: Divulgação/Square Enix) Por que Final Fantasy VII foi tão importante em 1997? Nos anos 1990, a Squaresoft colecionava sucessos com Chrono Trigger e Final Fantasy VI — considerados por muitos como alguns dos RPGs mais influentes de todos os tempos.
Eles precisavam de algo maior e o PS1 se tornou a oportunidade perfeita de alcançar o resultado que esperavam.
Com a compressão dos dados nos discos, era mais simples traduzir o mundo de Cloud e Sephiroth neste formato — já que o custo com dois ou mais cartuchos para o Nintendo 64 tornaria a experiência completamente inviável naquela época.
Além disso, os acordos oferecidos pela Sony Interactive Entertainment traziam mais vantagens que a concorrência.
Em 1997 Final Fantasy VII surgiu e apresentou algo nunca antes visto para os fãs.
Mapas 3D, exploração aberta, minigames, desafios e uma trama que colava tudo isso com uma qualidade ímpar.
Após vários acertos seguidos, quem não botaria a mão no fogo por outro hit do estúdio japonês? O que os fãs receberam foi uma jornada cheia de atitude.
O grupo Avalanche lutava contra a megacorporação Shinra, que usava a energia do planeta para gerar eletricidade.
Como resultado, o mundo literalmente morria aos poucos e a única forma de reverter isso era derrubar as usinas da companhia.
Percebam que ainda nem tinham virado os anos 2000 e o impacto corporativista já era debatido nos games.
No papel do mercenário Cloud, seu trabalho era ajudar os revolucionários a conquistar seu objetivo.
Porém, uma ameaça maior se escondia por trás da cortina: o vilão Sephiroth, com planos macabros que traziam um risco ainda maior para todos os seres vivos.
Todo este embate, somado a um gameplay que elevava o padrão estabelecido por cada game da franquia no passado, o tornou um clássico instantâneo.
Você pilotava Chocobos, entrava em combates de turno com uso da barra de Active Time Battle (ATB), invocava summons com gráficos impressionantes para a época e via cenários até então deslumbrantes. As summons eram um verdadeiro espetáculo visual no PS1 (Imagem: Divulgação/Square Enix) Não deu outra: Final Fantasy VII influenciou toda a indústria, que buscou trazer com seus games uma parcela daquilo que a aventura tinha de melhor — algo que levou muitos a falhar miseravelmente, enquanto outros cresceram ainda mais ao aprender o que funcionava bem e traduziram de outro modo em suas próprias experiências.
Mesmo com sucessos anteriores, a franquia sempre agiu bem em um nicho específico, como Dragon Quest.
Porém, o título de 1997 conseguiu a proeza de tornar o nome da série em uma obra mainstream.
Não é de se estranhar que alguns títulos tenham sido verdadeiros carros-chefes das gerações de videogames que viriam na sequência.
No Brasil, isso conversava com os fãs de várias formas diferentes.
Não era possível ir a uma banca de jornais sem ver a imagem de Cloud em revistas.
Duvido ter algum grupo de amigos naquela época sem ao menos um ter jogado e recomendar, à exaustão, que os demais fizessem o mesmo (era para o seu bem).
Nas locadoras, a criançada e os jovens só faltavam sair no tapa para decidir quem levaria as poucas unidades do game para casa.
Havia até negociações: alguns se uniam, dividiam a conta e um levava o CD 1, outro o CD 2 e 3 e por aí vai.
Se organizasse direito, todos se divertiam naquela época.
Os três discos de Final Fantasy VII impactaram toda uma geração (Imagem: Reprodução/Vinni Shopping) Isso quando não existia aquele amigo com um maior poder financeiro que tinha os discos originais e não se importava em emprestar.
Vou quebrar o decoro e compartilhar uma experiência pessoal: eu joguei assim, por meio de um amigo de meus amigos que tinha e insistiu para eu “testar”.
Nem sabia no que ia me meter, veja onde vim parar hoje, diga-se de passagem.
Tudo isso montava um sucesso que não atraía apenas os críticos e grandes apaixonados por videogame, mas pessoas que sequer sabiam o que era um RPG (ou um JRPG).
Entre o fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, ele dominou o mercado — mesmo com sequências lançadas que, a depender para quem pergunta, podiam ser até mais interessantes que o próprio FF7.
Por que Final Fantasy VII marcou tanto quem jogou no PS1? Afinal de contas, o que tornou a saga da Squaresoft uma sensação que impactou toda uma geração? É até simples de se explicar, principalmente se você vivenciou aquela época e lembra do primeiro contato que teve com o game.
Existia um tempo no qual o mercado ocidental de jogos era visto como uma fórmula fechada.
Ou era um game de luta, corrida ou tinha a composição de fases e chefões.
Nem sempre eram aventuras infantis, mas nunca fugia muito disso — mesmo nos primórdios do PS1. Imagina como era ver, pela primeira vez, uma obra mais longa com gráficos de ponta.
Uma grande novela interativa, com dezenas de horas para se explorar seu mundo e segredos —- no qual muitos tinham pressa para devorar a história, enquanto outros faziam tudo na maior calma do mundo para saborear cada detalhe dali (vai me dizer que não passou horas “preso” em Gold Saucer? Duvido). Pular de um trem e derrubar soldados da Shinra era apenas o início de uma jornada marcante (Imagem: Divulgação/Square Enix) Cloud pulava de trens, invadia usinas, lutava contra monstros, encarava soldados e chefões colossais, andava de moto e, de quebra, tinha como principal antagonista um homem de cabelos longos e brancos, com uma espada de quase 2 metros a tiracolo.
Se tinha algo mais legal que isso no fim dos anos 1990, sinto muito por não conhecer.
Não era apenas ele que encantava.
Com diversos personagens cativantes e complexos, vilões carismáticos, reviravoltas intensas na história e temas mais densos do que os vistos nos títulos de ação e plataforma, não era raro ver o olho das pessoas brilhar a cada descoberta e batalha emblemática.
Ele representava não só “mais um” jogo ou um JRPG de qualidade, mas sim o momento que muita gente viu tudo isso pela primeira vez.
Parecia uma mensagem que dizia “é o fim de mascotes e bichos antropomórficos” e o início da era dos heróis estilosos e niilistas. Como resultado, milhões de fãs entraram nessa nave — que pode ter seus altos e baixos, mas que continua a representar algo no coração das pessoas.
Não é à toa que a Square Enix adaptou o game para as gerações mais modernas e manteve essa paixão viva para os mais antigos (e uniu isso aos jovens de hoje).
Cloud, Aerith e Sephiroth: personagens que marcaram uma geração Ainda nos anos 1990, existiam alguns estereótipos que funcionavam muito bem entre as crianças e jovens.
Um deles é do protagonista mais introspectivo, que trazia uma idealização de heroísmo que ajudava a esconder sua própria crise de identidade e ideais.
Este é exatamente o caso de Cloud, que representava (e muito bem) essa frente. Sob a camada do herói descolado, que pula de trens, explode reatores e salva todo o grupo de incontáveis problemas, existia um personagem que não entendia bem como se encaixava dentro de tudo aquilo.
Vamos ser honestos, em nossas vidas pessoais, quem de nós entende? A aproximação era instantânea, mesmo que não existam conexões com experimentos científicos e ameaças alienígenas entre nós (ao menos é o que espero!). Os personagens de Final Fantasy VII se tornaram emblemáticos (Imagem: Divulgação/Square Enix) Por outro lado, a presença da Aerith concentrava o afeto, delicadeza e acertava em cheio ao representar a perda.
Já se passaram 29 anos desde a chegada do jogo original e até hoje muita gente não se conforma pelo seu destino na história.
Ainda ausente no fim, ela se mantém presente nas memórias e decisões, o que gera um peso ainda maior na trama e na sua participação.
Além disso, temos em Sephiroth a imagem definitiva do vilão trágico.
Ele é mau, porém não se pode ignorar que as circunstâncias dos experimentos da Shinra e a forma como ele foi concebido lhe trouxeram traumas demais para sua sanidade suportar.
Não que se possa justificar suas atitudes, porém por trás de sua beleza e riscos, ele foi mais uma vítima da Shinra. Toda a simbologia entre eles e a forma como sua narrativa foi contada se tornou emblemática para os fãs por várias razões.
Carisma, identificação, empatia, dor e o ímpeto de acompanhá-los até o fim foram alguns dos sentimentos que despertavam durante a jornada.
Se FF7 é um clássico, foi graças a estes personagens que conquistaram toda uma geração.
Nostalgia de Final Fantasy VII não é só saudade Se todos pararmos para refletir sobre a simbologia, narrativa e construção que há no projeto da antiga Squaresoft, verá que o jogo não é apenas aquilo que a nostalgia construiu.
Em outras palavras, não é apenas “era melhor antigamente”, mas sim uma combinação mais profunda e que se tornou atemporal.
Pode notar, ainda que exista a trilogia Remake, Rebirth e Revelation para recontar a sua história, o clássico continua “intocado” na memória e coração dos fãs.
Caso decida rejogá-lo, mesmo em gráficos datados, é possível sentir tudo novamente sem qualquer barreira geracional. Claro, há um apelo forte para a memória do público também.
Muitos, assim como eu, lembram-se de onde estavam quando iniciaram a jornada por Midgar ou quando assistiram à destruição de Nibelheim em meio às chamas de Sephiroth.
Isso sem falar dos esforços para entender os sistemas pela primeira vez, já que ele provavelmente foi o primeiro JRPG de muita gente.
Quem não se lembra a primeira vez que disparou um Omnislash ou Knights of the Round? (Imagem: Divulgação/Square Enix) Como assim “subir de nível”? A magia é equipada na arma? Um personagem desfere golpes de espada, outra chuta e dá soco e de onde saiu esse cachorro no meio? Com certeza estas e diversas outras questões surgiram, assim como se lembram bem de como as respostas para algumas destas impactaram.
No fim, todos tivemos a sensação de estar diante de algo que era maior do que a maioria dos games da época.
Hoje podemos ver um gráfico antigo, ritmo e interface que não conversam tão bem quanto gostamos atualmente, mas sua força emocional permanece.
Seus temas ainda funcionam.
Isso, por conta própria, mantém a sua relevância mesmo nos tempos modernos.
Como os remakes mexem com os fãs? Os três games mais recentes da saga, Remake, Rebirth e Revelation, retrabalham todo este universo de forma que não é apenas uma atualização de gráficos e combates.
Eles servem como um apelo só para recontar a sua história, de sua própria maneira.
Ainda no primeiro título, muitos ficaram confusos com o fato de se ver em uma posição curiosa: era possível reconhecer lugares, personagens e as cenas, mas com a sensação de que alguma coisa sairia dos trilhos e mudaria de direção.
Não foi apenas um “mais do mesmo”, mas sim um trabalho que gerou um gatilho mais ativo e ansioso.
Afinal de contas, o que realmente seria modificado e a pergunta maior era: “para o melhor ou para estragar tudo?”.
O fato de não revermos o passado, mas meio que negociarmos com ele, fez com que a história atual da Square Enix voltasse a impactar — porém, de outro jeito.
Mesmo com alguns tropeços, quem não quer ver como eles vão encerrar este capítulo, se é que terá um fim? Final Fantasy VII Revelation e o medo do fim Apresentado durante o Summer Game Fest, Final Fantasy VII Revelation mostrará o ápice da jornada e promete encerrar de vez o confronto entre Cloud Strife e Sephiroth.
O destino do mundo está nas mãos dos dois, enquanto um grande meteoro ameaça destruir todo o planeta.
No entanto, este não é apenas “um game novo” que verá nas lojas.
Para quem acompanha essa jornada pelos últimos 30 anos, esta é uma promessa de uma experiência que conversa diretamente com a antiga aventura do PS1.
Todos já sabemos que ambos se interconectam para além de ter a mesma base, o que dá indícios de que veremos o passado e o presente colidirem para gerar algo inédito. Por que Final Fantasy VII ainda atrai novos jogadores? Caso toda a jornada de FF7 não tenha conversado com você de algum modo, não precisa temer.
Você pode jogar o clássico remasterizado (geralmente com um preço bem em conta) em todas as plataformas.
Quer começar por Remake e Rebirth? Também não tem problema algum, ambos estão disponíveis em todas as plataformas atuais.
Além deles, temos este apenas como o principal capítulo da saga, mas outros projetos a complementam.
No PS2 existiu Dirge of Cerberus, focado no personagem Vincent Valentine.
No PSP e nos consoles da nova geração já tem Crisis Core e sua remasterização, que conta a história da Zack Fair — o “mestre” de Cloud e um dos SOLDIER mais poderosos da Shinra.
Seja pela curiosidade de conhecer Final Fantasy VII e compreender a razão pela qual todos falam sobre a obra, não é uma franquia inacessível e que oferece desafios para se estar imerso.
Comece qualquer um, da forma como preferir, que ainda terá uma grande história em suas mãos.
Não é à toa que ele continua a se mostrar como um dos 10 melhores JRPGs de todos os tempos.
Qualquer um, seja um fã novo ou um que vem diretamente dos anos 1990, pode se conectar ao universo e confrontar suas ameaças — assim como conhecer seus emblemáticos personagens, música, mundo e dilemas.
Se ainda não entrou nessa, não é “tarde demais” para isso.
Final Fantasy VII é um dos melhores JRPGs de todos os tempos (Imagem: Reprodução/Square Enix) Mais do que um jogo Final Fantasy VII continua a se mostrar mais do que uma simples história que teve começo, meio e fim no PS1.
Ele virou uma lembrança compartilhada, uma jornada que abriu portas para tramas ainda maiores e mais complexas dentro dos videogames.
Esta característica fez ele atemporal, assim como continua a mexer com as pessoas ao longo dos anos.
Mesmo o original ainda impacta os fãs, assim como os spin-offs e até mesmo as versões modernas desta obra .
Seja pelo estilo descolado de Cloud, pela batalha intensa contra Sephiroth ou seja por ver um grupo de azarões que tenta salvar o mundo, essa aventura serve para todos.
Presente na memória de todos que jogaram a experiência no PS1 ou na curiosidade de quem chegou pelos remakes, Final Fantasy VII não chegará ao fim em Revelation — assim como não teve um no passado distante.
Enquanto viver no coração de todos nós, ele permanecerá vivo, mesmo sem novas histórias ou games dentro de seu universo.
