A Boston Dynamics apresentou uma nova geração de mãos para o Atlas, seu robô humanoide voltado a aplicações industriais. Além de ganhar mais movimentos e sensores táteis, o equipamento chama atenção por uma escolha aparentemente contraintuitiva: apesar de tentar reproduzir parte da destreza humana, ele tem apenas quatro dedos. A decisão foi proposital. Segundo a companhia, adicionar um quinto dedo aumentaria o número de componentes, o custo, o volume da mão e a probabilidade de falhas, sem necessariamente trazer ganhos relevantes para as tarefas que o robô deverá realizar. Foto mostra mão do robô humanoide sem os cinco dedos Divulgação Durante o desenvolvimento, a discussão chegou a render um experimento curioso. Zack Jackowski, CTO da Boston Dynamics, pediu que integrantes da equipe prendessem o dedo mínimo ao anelar durante um dia e observassem quais atividades deixavam de conseguir executar. Ao final do teste, segundo a empresa, a equipe chegou a um consenso: o quinto dedo não era necessário. A nova mão tem 13 graus de liberdade, contra sete da geração anterior. O polegar sozinho possui quatro graus de liberdade, enquanto cada um dos outros três dedos conta com três. A configuração permite movimentos como pinças entre o polegar e os demais dedos, reposicionamento de objetos dentro da própria mão e acionamento de gatilhos de ferramentas. A Boston Dynamics também instalou sensores táteis de pressão nas pontas dos dedos e na palma. A ideia é permitir que o Atlas detecte pequenos contatos enquanto manipula objetos.
Em vídeos divulgados pela companhia, o humanoide aparece realizando tarefas como colocar uma broca em uma furadeira, acionar seu gatilho e manipular outros objetos. A empresa cita ainda ferramentas como parafusadeiras, esmerilhadeiras, pistolas de pregos e tochas de soldagem entre aquelas que orientaram o desenvolvimento da mão. Mão foi pensada para o trabalho A escolha dos quatro dedos faz parte de uma discussão maior sobre como devem ser construídos robôs humanoides destinados ao mundo real. Embora copiar a mão humana pareça o caminho mais óbvio, a Boston Dynamics afirma que precisa equilibrar destreza, força, resistência, custo, facilidade de reparo e capacidade de fabricação em escala. Mesmo com a mudança, a mão mantém dimensões próximas às de uma mão humana grande. Isso é importante porque o Atlas foi projetado para manipular objetos, ferramentas e espaços originalmente pensados para pessoas. A resistência também foi preservada. Segundo a Boston Dynamics, a nova mão mantém força semelhante à geração anterior, que já havia sido demonstrada carregando um frigobar de 45 quilos.
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