Por que a relação das mulheres com a estética muda tanto ao longo da vida

 

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A relação das mulheres com os procedimentos estéticos vem passando por uma transformação significativa nos últimos anos. Se antes essas intervenções eram associadas quase exclusivamente ao envelhecimento, hoje elas acompanham diferentes fases da vida feminina, refletindo mudanças hormonais, corporais e até de comportamento. O que se busca aos 20 dificilmente é o mesmo aos 40 ou 50, uma mudança que já se reflete com clareza nos consultórios.

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Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) mostram que as mulheres representam mais de 80% dos procedimentos estéticos realizados no mundo. Os números também ajudam a mapear essa evolução: entre os 20 e 30 anos, predominam tratamentos voltados à prevenção, proporção facial e qualidade da pele. Já entre os 35 e 50 anos, cresce a procura por procedimentos relacionados à sustentação, contorno corporal e manutenção de uma aparência mais descansada e natural.

Na prática, essa mudança começa cedo. Na adolescência e no início da vida adulta, a estética costuma estar ligada à correção de traços específicos e à forte influência das redes sociais. É a fase em que aumentam buscas por rinoplastia, tratamentos para acne, melhora da textura da pele e procedimentos preventivos. Aos 30, o foco passa a incluir sinais iniciais de flacidez, olheiras e equilíbrio corporal. Já os 40 marcam uma atenção maior à manutenção de estrutura, contorno e naturalidade, enquanto após os 50 cresce a busca por sustentação facial, tratamento do excesso de pele e melhora global da qualidade dos tecidos.

Segundo a cirurgiã plástica Ana Penha Ofranti, da Revion International Clinic, essas mudanças acompanham transformações naturais do corpo feminino ao longo do tempo. "A paciente mais jovem normalmente busca prevenção e proporção. Depois, entram questões relacionadas à maternidade, perda de colágeno, flacidez e manutenção da estrutura corporal. A estética passa a acompanhar o momento de vida da mulher", explica.

A gestação, inclusive, costuma marcar um ponto de virada nessa relação com o corpo. Alterações provocadas pela gravidez e pela amamentação, como flacidez abdominal, mudanças nas mamas, diástase e perda de elasticidade da pele, ajudam a explicar por que muitas mulheres passam a procurar novos tipos de procedimentos após a maternidade. Mais do que transformação estética, cresce a busca por recuperação de sustentação, contorno e funcionalidade corporal.

A cirurgiã plástica Thamy Motoki, também da Revion International Clinic, destaca que o principal equívoco é imaginar um procedimento ideal válido para todas as idades. Para ela, o comportamento da paciente evolui junto com o corpo, o metabolismo e a forma como cada uma lida com o envelhecimento. "Hoje a mulher não busca apenas rejuvenescimento. Ela quer escolhas que façam sentido para a fase da vida que está vivendo, respeitando naturalidade, rotina e individualidade", conclui.