Por ataques de Israel no Líbano, Irã suspende trânsito de petroleiros em Ormuz após permitir passagem de dois navios

 

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O Irã voltou a suspender a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, menos de 24 horas depois do anúncio de um cessar-fogo na guerra lançada por EUA e Israel no final de fevereiro. A retomada do tráfego na área, por onde transitam 20% do petróleo e gás comercializados no planeta, é um ponto central do plano, mas Teerã creditou a decisão à nova série de ataques israelenses no Líbano.

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De acordo com a agência Fars, duas embarcações passaram por Ormuz nesta quarta-feira, mas o local foi bloqueado mais uma vez depois da série de violentos bombardeios israelenses contra o Líbano, oficialmente voltados ao Hezbollah — grupo aliado de Teerã — mas que atingiram áreas densamente populadas onde a organização não está presente. Segundo o Ministério da Saúde, 89 pessoas morreram e 772 pessoas ficaram feridas. Autoridades locais dizem que foram mais de 100 ataques em um intervalo de 10 minutos, e alguns descrevem um cenário parecido com a da devastação da Guerra Civil Libanesa (1975-1990).

Em comunicado, as forças navais e aeroespaciais da Guarda Revolucionária — que exerce o controle de fato do estreito — disseram que o novo fechamento demonstra que o Irã fala sério quando afirma ter "o dedo no gatilho" mesmo em meio ao cessar-fogo de duas semanas.

O bloqueio de Ormuz foi uma das principais armas do Irã na guerra, e causou um dos maiores choques do petróleo em décadas. Centenas de embarcações aguardam a autorização para a travessia, que agora está sob controle das autoridades militares iranianas. Um projeto em tramitação no Majlis, o Parlamento do Irã, adota a cobrança de um pedágio que pode chegar a US$ 2 milhões por navio. No plano de 10 pontos apresentado aos EUA, como ponto de partida para as negociações de paz, Teerã exige manter direitos sobre o trânsito naval na passagem.

No começo do dia, um representante do governo iraniano afirmou à agência Reuters que o Estreito de Ormuz poderia ser aberto até sexta-feira, quando começam as negociações entre EUA e Irã no Paquistão, em busca de um acordo definitivo. Contudo, como alertou o chanceler do país, Abbas Araghchi, as travessias ocorreriam em coordenação com seus militares — a Guarda Revolucionária ameaçou atacar qualquer embarcação que entrar na área sem autorização. Mais cedo, Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA, e Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto do país, afirmaram a jornalistas "acreduitar" que o estreito estava aberto à navegação.

O impasse em Ormuz é mais um elemento de tensão em torno do cessar-fogo anunciado na noite de terça-feira por Trump. Apesar do Paquistão, que atuou como mediador, afirmar que ele inclui o Líbano (por pressão do Irã) Israel e EUA dizem o contrário, e autoridades israelenses prometem intensificar os ataques, segundo eles, voltados ao Hezbollah. À rede PBS, Trump declarou que, por causa do grupo, o país árabe "não foi incluído no acordo". Citada pela agência Tasnim, a Guarda Revolucionária disse que “se as agressões contra o nosso amado Líbano não cessarem imediatamente, daremos uma resposta lamentável aos agressores malignos da região". Segundo a mesma agência, há vozes em Teerã defendendo a retirada do país do acordo diante dos bombardeios contra cidades libanesas.