Prefeitura de SP inaugura 'Espaço Motoboy' e negocia apoio de aplicativos para próximas unidades

 

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A Prefeitura de São Paulo inaugurou nesta quarta-feira (8) o primeiro “Espaço Motoboy” da capital. A proposta é oferecer, no local, uma área de descanso e alimentação para motociclistas e entregadores de bicicleta, equipada com mesas, micro-ondas, refrigeradores, banheiros, Wi-Fi e estacionamento gratuito. A unidade, na qual foram investidos mais de R$ 2,2 milhões, está localizada na Rua Dr. Antonino dos Santos Rocha, próxima às avenidas Paulista e Rebouças, duas das principais vias da cidade.

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Ao todo, o espaço conta com 180 m² de área construída em um terreno de 1.100 m², com estacionamento para 58 motocicletas e 25 bicicletas. De acordo com o Executivo municipal, o espaço funcionará todos os dias, das 5h à meia-noite, sem limite de permanência.

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A proposta é expandir o modelo para outras regiões da capital. Segundo o prefeito, há planos para a construção de novas unidades em frente ao Shopping SP Market, na Zona Sul, e nas proximidades do Shopping Anália Franco, na Zona Leste.

Ainda não há prazo definido para a entrega dessas unidades, e o prefeito não descartou parcerias com empresas de entrega para financiar as obras. A única exigência, segundo ele, é que as companhias tenham sede na capital paulista.

— Já fomos procurados por empresas do setor de aplicativos para possíveis parcerias. Não faremos acordos com empresas que não estão sediadas na cidade de São Paulo. Há companhias que faturam muito aqui, mas mantêm suas sedes em outros municípios. Com essas, a prefeitura não terá parceria — afirmou Nunes.

Segundo a prefeitura, a manutenção do espaço inaugurado ficará a cargo de uma empresa terceirizada contratada pelo município. O custo mensal é estimado em cerca de R$ 172 mil, e a administração não descarta repassar futuramente essa gestão a um sindicato de motociclistas.

— Fizemos um contrato com uma empresa para realizar a manutenção por três meses. A partir dessa experiência, vamos ajustar o modelo conforme a necessidade. A ideia é que um sindicato, instituição com legitimidade e representatividade da categoria, possa assumir a gestão do espaço — declarou.

A empresa 99 já sinalizou à prefeitura a possibilidade de financiar integralmente uma nova unidade ainda neste ano, mas, até o momento, não há detalhes sobre o formato dessa parceria.

O projeto do “Espaço Motoboy” foi desenvolvido em parceria entre a Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB) e a Agência São Paulo de Desenvolvimento (Ade Sampa), ligada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET).

Segundo estimativa da prefeitura, cerca de 350 mil profissionais atuam como motoboys, motogirls ou entregadores na capital, onde circulam diariamente 1,3 milhão de motocicletas — aproximadamente 700 mil utilizadas para trabalho.

Classificada como uma ideia que surgiu de uma “demanda antiga” da categoria, a iniciativa ganhou atenção na eleição quando o grupo de trabalhadores autônomos passou a ser alvo dos candidatos à prefeitura.

A disputa pelos motoboys

Foi em 2024 que a força política dos entregadores e motoristas de aplicativo ganhou centralidade no debate eleitoral. A entrada do ex-coach Pablo Marçal na corrida pela prefeitura, com forte adesão de trabalhadores autônomos, acendeu um alerta entre os principais candidatos, que passaram a direcionar propostas específicas a esse segmento.

Naquele contexto, o então candidato Guilherme Boulos saiu na frente ao apresentar um pacote de medidas voltado à categoria. Entre as propostas, estavam a liberação da transferência de alvarás para taxistas e a autorização para veiculação de publicidade nos veículos, além da criação de uma rede de bases de apoio ao trabalhador distribuídas pelos bairros da cidade. O candidato ficou em segundo lugar naquele ano com 40,65% no segundo turno.

Já no governo federal, à frente da Secretaria-Geral da Presidência, Boulos também passou a defender a instituição de uma remuneração mínima para entregadores, sem repasse de custos ao consumidor.

Nunes, que foi reeleito em 2024, também voltou os olhares para a categoria. Apesar de não concorrer a nada neste ano, o prefeito é aliado do governador do Estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos) que pretende disputar a reeleição. Como mostrou O GLOBO, o pré-candidato tem investido em iniciativas voltadas a motociclistas e entregadores de aplicativo, de olho na mobilização desse eleitorado.

No campo da esquerda, medidas adotadas pelo governo federal para o setor devem ser incorporadas à campanha de Fernando Haddad (PT), que deixou o Ministério da Fazenda para disputar o Palácio dos Bandeirantes.