O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou nesta quinta-feira que o objeto que abriu uma cratera de 10 metros de diâmetro em uma plantação no leste do país durante a madrugada era, possivelmente, um míssil russo. O anúncio do premier acontece horas após autoridades emitirem um alerta de violação do espaço aéreo polonês, enquanto a Rússia lançava mais um extenso bombardeio contra a Ucrânia. Moradores de Tarnawa Kolonia, vilarejo perto da cidade de Lublin, a cerca de 80 km da fronteira com a Ucrânia, denunciaram à polícia uma explosão por volta das 4h (23h de quarta em Brasília), enquanto as forças de Moscou bombardeavam a região de Lviv, no oeste ucraniano. Inicialmente, as autoridades evitaram especular sobre o motivo da explosão, mas a hipótese do projétil russo foi confirmada por fontes em Varsóvia e Bruxelas.
— Até o momento, tudo indica que estamos lidando com um míssil balístico Kh-101, um modelo russo — afirmou o primeiro-ministro durante uma reunião de emergência nesta quinta, antes de se deslocar até o local acompanhado pelo ministro da Defesa Wladyslaw Kosiniak-Kamysz. Uma investigação militar foi aberta para apurar o caso, e um helicóptero Mi-24 sobrevoou a região do impacto — uma área inabitada. Autoridades da União Europeia e da Ucrânia apontaram para a Rússia imediatamente, responsabilizando Moscou pela explosão. "Durante a noite, um míssil de cruzeiro russo Kh-101 entrou na Polônia como parte de um ataque massivo contra a Ucrânia, violando o espaço aéreo da Otan", escreveu o ministro de Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiga, em uma publicação na rede social X. O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, também emitiu um posicionamento via rede social, no qual afirmou que o "espaço aéreo da Polônia também foi violado" pelo bombardeio russo à Ucrânia. O ex-premier português afirmou ainda que o caso "destaca mais uma vez que a agressão russa é uma ameaça à segurança da Europa como um todo". A ofensiva russa entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta incluiu o disparo de dezenas de projéteis contra Lviv, no extremo oeste do país, onde 31 pessoas ficaram feridas. Ao todo, ao menos oito pessoas morreram em diferentes regiões. A Força Aérea ucraniana disse ter identificado 74 mísseis e 284 drones durante o ataque, dos quais 55 mísseis e 265 drones teriam sido interceptados. O maior impacto foi sentido perto da cidade de Kryvyi Rig, no centro da Ucrânia, que matou três adultos e três crianças da mesma família. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que um míssil mirou "uma casa comum", que ficou "reduzida a escombros. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter atingido o complexo militar-industrial ucraniano, além de centros de comunicações e de logística. Zelensky reiterou seu apelo por mais suprimentos de defesa aérea para proteger a Ucrânia dos mísseis balísticos russos, tem que discutiu na na terça-feira com o presidente dos EUA, Donald Trump, em uma visita à Casa Branca. Kiev já demonstrou interesse em produzir interceptadores antibalísticos Patriot em seu território. Ainda de acordo com Zelensky, Trump teria concordado em conceder as licenças para a fabricação. (Com AFP e NYT)
O Globo