Policial confessa ter encerrado casos de desaparecidos sem investigar para

Policial confessa ter encerrado casos de desaparecidos sem investigar para 'evitar trabalho' na Coreia do Sul

Fonte: Bandeira da fonte

Um policial da Coreia do Sul, identificado pelo sobrenome Bu, foi preso após admitir que encerrou casos de pessoas desaparecidas sem realizar as investigações necessárias, para evitar trabalho adicional.
Segundo a Polícia Provincial de Jeju, ele falsificou pelo menos dois casos de grande repercussão na ilha turística e forneceu informações falsas às famílias.
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Bu é acusado de falsificação de registros eletrônicos públicos, obstrução do trabalho oficial e negligência no cumprimento do dever, de acordo com reportagem da BBC.
A polícia acredita que ele possa ter encerrado prematuramente outros 25 casos.
Em alguns deles, as pessoas desaparecidas acabaram sendo encontradas vivas e em segurança.
Durante a investigação, Bu afirmou que considerava alguns casos pouco importantes e que temia o volume de trabalho caso os registros permanecessem abertos.
"Declarou algo no sentido de que 'a pessoa desaparecida era um adulto típico, então não dei muita importância.
Se o caso não fosse encerrado, haveria muitas coisas para cuidar e, por causa da pressão com a transferência do caso, encerrei-o falsamente'", diz um comunicado da polícia.
Caso de Jang Mi-ran
Um dos casos envolve Jang Mi-ran, de 37 anos, desaparecida em maio.
O namorado comunicou o desaparecimento à polícia.
Na ocasião, Bu afirmou ao namorado que havia conversado com Jang e que ela não queria encontrar a polícia nem ser contatada por ele.
Posteriormente, as autoridades concluíram que a conversa nunca havia ocorrido.
Bu também inseriu as informações falsas no sistema policial.
Segundo as autoridades, chegou a registrar que Jang havia morrido em um acidente de trânsito antes de encerrar o caso.
O corpo da mulher foi encontrado na semana passada, perto de uma plantação de palmeiras em Jeju.
O segundo caso de grande repercussão envolvia um homem na casa dos 60 anos que havia sido dado como desaparecido em julho.
Bu também afirmou falsamente ter conversado com ele e registrou que o homem não queria ser contatado.
O desaparecido acabou sendo encontrado morto no início deste mês.
O escândalo veio à tona enquanto a polícia realizava buscas tardias por pessoas desaparecidas na ilha.
Desde então, quatro corpos foram encontrados nas últimas semanas.
A revelação de que investigações haviam sido encerradas com informações falsas provocou críticas da população e aumentou a pressão sobre a polícia.
Caso ocorre em meio a reforma da polícia na Coreia do Sul
O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, prometeu uma reforma da polícia após a repercussão do caso.
O escândalo ocorre no momento em que o governo se prepara para ampliar os poderes da corporação.
Recentemente, o governo aprovou leis para transferir integralmente dos promotores para a polícia o poder de investigação.
Segundo as autoridades, a mudança busca reduzir a influência dos promotores na política.
A alteração, porém, é impopular entre parte da população.
A polícia sul-coreana é acusada há anos de corrupção e incompetência.
Lee criticou a situação, mas afirmou que os problemas de alguns agentes não deveriam atingir toda a corporação.
— É lamentável que, por causa de algumas “figuras semelhantes a loaches que enlameiam a água do poço”, a honra e o orgulho da maioria dos policiais diligentes estejam sendo prejudicados.
Milhares de desaparecimentos por ano
Mais de 70 mil adultos são registrados como desaparecidos na Coreia do Sul todos os anos.
Segundo a BBC, 99% dos casos são considerados solucionados dentro de um mês.
O país também apresenta algumas das taxas de suicídio mais altas do mundo, enquanto crimes violentos são descritos como raros.
O caso de Bu passou a colocar sob pressão a forma como a polícia conduz investigações de desaparecimentos e a confiabilidade dos registros produzidos pelos agentes.