A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quarta-feira, uma operação para desarticular uma organização criminosa suspeita de arrecadar cerca de R$ 10 milhões por meio de falsas campanhas de doação na internet usando deepfakes — vídeos feitos com Inteligência Artificial (IA) — com imagens de personalidades como o cantor Gusttavo Lima e os padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo.
Os conteúdos também incluíam representações religiosas, entre elas imagens de Jesus Cristo. A ação, realizada por meio da 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina), resultou na prisão de cinco integrantes do grupo e na apreensão de veículos de luxo.
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Dos cinco suspeitos detidos, dois foram presos em Planaltina (DF), um em Planaltina de Goiás (GO), um em Uberlândia (MG) e um em Joinville (SC). Os suspeitos responderão por crimes de estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Os policiais também identificaram ativos em criptomoedas avaliados em aproximadamente US$ 400 mil, o equivalente a R$ 2,14 milhões, conforme a cotação desta quarta-feira. “Falsas campanhas exploravam a solidariedade das vítimas.
As investigações apontaram que o grupo criava e divulgava páginas falsas de arrecadação de donativos, utilizando imagens de idosos, crianças e pessoas com doenças graves para sensibilizar o público e induzir as vítimas a realizar transferências financeiras. Para ampliar o alcance das fraudes, os investigados recorriam a ferramentas de inteligência artificial, incluindo a tecnologia deepfake, para produzir vídeos falsos com imagens de personalidades públicas”, diz o órgão.
A Operação Cáritas ocorre simultaneamente no Distrito Federal, em Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo. A Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão e ordens de bloqueio de ativos financeiros e patrimoniais.
Os conteúdos eram publicados nas redes sociais e direcionados aos usuários de páginas que simulavam campanhas beneficentes. Segundo a investigação, foram realizadas mais de 215 mil transações em 45 dias.
Os valores arrecadados eram encaminhados a contas bancárias controladas pelo grupo. “Entre 13 de outubro e 26 de novembro de 2025, uma única empresa vinculada à organização recebeu 215.575 transações, que totalizaram R$ 9.839.087,73.
Os pagamentos eram, em sua maioria, de pequenos valores, especialmente R$ 30 e R$ 50. O padrão indica a possibilidade de um número expressivo de vítimas em diferentes regiões do país, embora a quantidade de transações não corresponda necessariamente ao número de pessoas lesadas” explica a PCDF.
Segundo a Polícia, a organização mantinha uma estrutura com divisão de tarefas e os integrantes atuavam no desenvolvimento tecnológico das fraudes, na administração de redes sociais, na formalização de empresas e na movimentação e dispersão dos recursos financeiros. Também foram encontrados cerca de 230 GB de arquivos, entre vídeos, imagens, roteiros, códigos de programação, bancos de dados e materiais destinados à produção de novas campanhas fraudulentas.
Os cruzamentos de informações, realizados pela PCDF, identificaram 66 registros de ocorrência envolvendo empresas apontadas como destinatárias de valores relacionados a fraudes eletrônicas. Entre os casos estão golpes de falsas compras, boletos fraudulentos e investimentos fictícios.
*Estagiária sob supervisão de Alfredo Mergulhão
O Globo