Polícia Civil do Rio compra drones da China e cria coordenadoria de aeronaves não tripuladas para combate ao crime

 

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Um olhar que vem do céu começou a ajudar a Polícia Civil a combater o crime no Rio. Importados da China, drones de seis modelos diferentes — entre eles, os que têm sensores térmicos para localizar suspeitos escondidos em área de mata e aqueles que fazem imagens noturnas — são as novas ferramentas usadas por policiais da recém-criada Coordenadoria de Operações com Aeronaves não Tripuladas (Coant).

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As imagens captadas pelos equipamentos, segundo o secretário de Polícia Civil, delegado Delmir Gouvea, serão transmitidas, em tempo real, para o centro de monitoramento, que fica na Cidade da Polícia, no Jacaré, na Zona Norte do Rio.

— Agora, temos a oportunidade de ter um chefe da parte operacional, na Cidade da Polícia, acompanhando em tempo real as operações com os drones. Estamos adquirindo novas tecnologias, com softwares e tudo mais. Vou me ater a não falar detalhes para não alertar quem não deve ser alertado — disse o secretário.

O novo secretário de Polícia Civil, delegado Delmir Gouvea

Divulgação

Gouvea não revela o número de equipamentos por se tratar, segundo ele, de informação estratégica. Cada modelo foi comprado para atender a determinada ação da polícia e será pilotado por um agente capacitado. Alguns têm câmeras com zoom para fazer imagens à longa distância e autonomia de voo que pode chegar a mais de uma hora.

— Nosso equipamento faz monitoramento e mapeamento de área em tempo real. As imagens podem ser feitas, inclusive, com alta resolução e precisão — explicou o delegado Rodrigo Brand, coordenador da Coant.

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Um dos modelos comprados pela polícia também é equipado com câmeras de reconhecimento facial e de leitura de placas, podendo ser interligado ao sistema usado pela corporação para fazer a identificação de pessoas procuradas pela polícia ou de veículos roubados. Já uma outra aeronave é própria para fazer voos furtivos, ou seja, sem que a presença dela seja notada com facilidade.

A nova coordenadoria, subordinada diretamente ao subsecretário de Integração Operacional, delegado Carlos Oliveira, vai dar apoio a operações policiais e ajudar em ações de inteligência como, por exemplo, fazer o mapeamento de uma determinada área. Qualquer unidade policial do estado poderá usar os equipamentos.

Os valores gastos com os drones fazem parte de um pacote de compra de equipamentos de inovações tecnológicas para a corporação. Nos dois últimos anos, os gastos — que incluem ainda a aquisição de softwares para extração de dados telemáticos — chegaram à casa de R$ 2,1 milhões.

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Um dos softwares que já está sendo usado pela corporação é o Ipol. Trata-se de um aplicativo de uso exclusivo da Polícia Civil, que pode ser acessado pelos agentes a partir de telefones corporativos. Com o uso da câmera do celular, o sistema é capaz de informar se uma pessoa é foragida da Justiça ou se um veículo consta como roubado.

— Antigamente, era necessário conduzir suspeitos à delegacia para levantar se havia ou não antecedentes criminais ou mandado de prisão em aberto. Hoje, isso pode ser feito em tempo real e de forma virtual — explicou o secretário Gouvea.

Bandidos também têm usado drones e adaptado os equipamentos para se tornarem armas de guerra. Nos sábado, traficantes jogaram uma granada de drone em policiais militares que faziam uma operação na na Vila Sapê, em Curicica, na Zona Sudoeste. Um imóvel atingido teve paredes danificadas, mas não houve feridos. A favela vem sendo palco de uma série de confronto entre bandidos rivais. Criminosos ligados a uma milícia tentam retomar o controle da região, atualmente dominada pelo Comando Vermelho (CV). Nesta segunda-feira, agentes do Batalhão de Operações Especiais da PM estiveram na Gardênia Azul, comunidade na mesma região, para tentar prender o suspeitos do ataque.

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