Baleia jubarte encalhada na Alemanha: após uma semana de resgate, animal volta a nadar sozinho, mas segue ferido e desorientado

 

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Após dias de tentativas de resgate, a baleia jubarte encalhada no Mar Báltico voltou a nadar por conta própria na noite desta segunda-feira (30). De acordo com a cobertura ao vivo da emissora alemã NDR e informações do telejornal ZDF Heute, o animal deixou a área de águas rasas e se deslocou em direção ao porto de Wismar, sendo posteriormente visto novamente no mar aberto.

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Na manhã desta terça-feira (31), a baleia foi avistada nadando na baía de Wismar, segundo o repórter Sven Rieken, da ZDF. Equipes de resgate acompanham a movimentação com embarcações, tentando avaliar se o animal conseguirá seguir sozinho rumo ao mar aberto ou se há risco de novo encalhe.

Segundo a NDR, o animal chegou a desaparecer durante a noite após mergulhar, dificultando o monitoramento. Como não possui dispositivo de rastreamento, algo inviável devido às lesões na pele, a localização depende de avistamentos e buscas por mar e ar.

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Monitoramento e incerteza sobre o desfecho

O diretor científico do Museu Oceanográfico Alemão, Burkhard Baschek, afirmou ao programa matinal da ZDF que, neste momento, resta aos especialistas apenas observar. “Tudo o que podemos fazer agora é torcer para que ele consiga se virar sozinho”, disse. Segundo ele, a pele do animal está bastante danificada, possivelmente em razão da baixa salinidade do Mar Báltico.

A NDR informa que a baleia foi vista novamente nas proximidades de Bad Wendorf, a cerca de 300 metros do local onde estava anteriormente. O animal aparenta estar mais ativo e, até o momento, não voltou a encalhar. Ainda assim, especialistas reforçam que o ambiente não é adequado para a espécie e que o desafio agora é encontrar a saída para o Mar do Norte.

O ministro do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Till Backhaus, afirmou que a baleia “está lutando, mas está ferida” e que, após a liberação, precisa seguir sem interferência direta. A estratégia, segundo a NDR, é garantir tranquilidade para evitar estresse e permitir que o animal recupere forças.

Imagens da baleia circulam nas redes sociais

NEWS5 / AFP

Tentativas anteriores e deslocamento recente

A baleia havia encalhado inicialmente em um banco de areia próximo a Timmendorfer Strand, em 23 de março. Após vários dias de operação, incluindo a escavação de um canal, conseguiu se libertar, mas voltou a ficar presa em águas rasas na baía de Wismar no fim de semana.

Na noite desta segunda-feira, ainda segundo a NDR, especialistas utilizaram estímulos sonoros com embarcações para incentivar o deslocamento. O animal reagiu e conseguiu nadar livremente por volta das 20h30 (horário local). A partir daí, passou a se mover de forma independente, ainda que de maneira incerta.

Perguntas e respostas: o que se sabe até agora

Segundo a NDR, especialistas explicam que baleias jubarte não são nativas do Mar Báltico e costumam se perder ao seguir cardumes de peixes, como arenques, ou por desorientação causada por ruídos subaquáticos. Há também hipóteses de interferência de fenômenos naturais, como tempestades solares, que podem afetar a navegação desses animais.

O ambiente da região é considerado hostil para a espécie. A baixa salinidade compromete a pele e o metabolismo, enquanto a oferta de alimento é limitada. Ainda assim, segundo o Instituto de Pesquisa da Vida Selvagem Terrestre e Aquática, as jubartes podem sobreviver semanas sem se alimentar, utilizando reservas de gordura.

A baleia observada mede entre 12 e 15 metros e pesa cerca de 15 toneladas. Há indícios de que seja o mesmo animal visto anteriormente em outras áreas do Mar Báltico nas últimas semanas. Restos de corda encontrados em seu corpo levantam a hipótese de envolvimento com equipamentos de pesca, embora a origem do material não tenha sido confirmada.

Organizações ambientais alertam ainda para o risco das chamadas “redes fantasmas”, que permanecem no mar por séculos e continuam capturando animais.

Apesar da recente movimentação, especialistas ressaltam que o maior desafio permanece: encontrar a saída do Mar Báltico, considerado um “beco sem saída” para grandes baleias. O desfecho, segundo a NDR e a ZDF, ainda é incerto.