As eleições presidenciais brasileiras de 2026 serão decididas neste domingo (25/10). No entanto, o acirramento da disputa tem causado os mais variados sentimentos nos eleitores.
Apesar de ser um processo do qual o país está acostumado a participar, os pleitos dos últimos anos estão acontecendo com pitada a mais nas emoções: a polarização. Na disputa para descobrir quem será o próximo presidente, a ansiedade pelo resultado aumenta e a euforia pela vitória ou a frustração com a derrota também podem ser sentidos de forma cada vez mais exagerada.
Para lidar de forma mais saudável com as emoções e com os resultados das eleições, a recomendação de especialistas ouvidos pelo Metrópoles é identificar os sentimentos, criar intervalos entre sentir e agir e reconhecer que o resultado não está sob seu controle. “Aceitar não significa concordar com o resultado nem desistir das próprias convicções.
Significa parar de brigar com a realidade para conseguir decidir, com mais clareza, o que fazer a partir dela”, ensina a psicóloga Flávia Marsola, do Hospital Brasília Águas Claras. Segundo ela, reconhecer que está com medo, raiva ou muito animado ao invés de simplesmente reagir ajuda a diminuir a intensidade da emoção.
Os intervalos podem ser essenciais para evitar brigas e conflitos. “Antes de responder àquele comentário no grupo da família, por exemplo, pare, respire e observe o que está acontecendo antes de decidir o que fazer”, diz a psicóloga.
A especialista aponta que, em caso de derrota, não é anormal o surgimento de pensamentos negativos. Porém, é imprescindível compreender que eles não são uma previsão do futuro e não devem comandar as atitudes do indivíduo nos próximos dias.
Mesmo que toda eleição pareça somente mais uma, para nem todos os grupos da sociedade é assim. A preocupação costuma pairar justamente entre as minorias, como negros, mulheres, indígenas, população LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência (PCDs) e quilombolas ou indivíduos que dependam de algum auxílio de programas governamentais – seja de saúde ou financeiro –, que, a depender dos resultados, podem ser alterados ou até excluídos.
“Vivemos uma polarização política muito forte, em que o debate vai além de discordâncias sobre a gestão pública. Quando candidatos e figuras de autoridade usam discursos preconceituosos e ameaçam direitos que foram conquistados com muita luta, é natural que venha um sentimento profundo de medo, insegurança e incerteza sobre o amanhã”, defende a psicóloga Yamara Garcia, do Grupo Reinserir, em São Paulo.
De acordo com a especialista, é justamente entre os grupos mais afetados que os resultados das urnas são vistos mais do que uma vitória ou derrota. Eles podem representar riscos à segurança, saúde mental e dignidade dessas pessoas.
“Isso explica por que as reações emocionais são tão intensas, indo do alívio e da euforia até a frustração e o desespero”, afirma Yamara. No período eleitoral, as redes sociais estão inundadas de fotos, vídeos e notícias ligados às eleições.
E para o algoritmo, a lógica é simples: quanto mais você consome esse tipo de conteúdo, mais ele irá te entregar o que você quer ver. É por isso que navegar pelos aplicativos intensifica as reações emocionais sobre o pleito.
“Quando estamos emocionalmente envolvidos com uma questão, também podemos apresentar maior tendência a buscar informações que confirmem nossas crenças e a interpretar opiniões contrárias como ameaças pessoais”, diz Flávia. A dica para evitar os efeitos das redes sociais é justamente estabelecer limites no tempo que você passa rolando o feed.
Apesar de ser bastante tentador, a sua saúde mental com certeza irá agradecer. “Enquanto a alienação é um desligamento permanente e indiferente da realidade, impor limites ao consumo de notícias e ao engajamento em discussões desgastantes é uma estratégia consciente de preservação.
Cuidar da saúde mental e fazer pausas estratégicas não significa abandonar o compromisso social ou fingir que os problemas não existem, mas sim garantir a energia e a clareza necessárias para continuar existindo e atuando no mundo de forma saudável”, destaca Yamara.
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