Centenas de anúncios político-eleitorais em circulação foram identificados durante o período de resguardo do segundo turno das eleições de 2026, quando esse tipo de publicidade é proibido pela legislação eleitoral. O levantamento foi realizado pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab UFRJ).
De acordo com boletim divulgado neste domingo (25), pesquisadores localizaram 394 anúncios político-eleitorais ativos nas plataformas da Meta, controladora de Facebook, Instagram e WhatsApp. O levantamento também encontrou 328 anunciantes que teriam veiculado propaganda considerada irregular durante o período de restrição.
O resguardo compreende o período de 48 horas antes a 24 depois das eleições. No documento, o Netlab UFRJ destaca que as plataformas “falham em fazer cumprir as regras eleitorais”, permitindo a circulação de anúncios fraudulentos e propaganda irregular enquanto mantêm “ferramentas de transparência insuficientes” para garantir a fiscalização e a responsabilização dos envolvidos.
“Na prática, compromissos públicos de integridade não se traduzem em controle efetivo, deixando a publicidade política digital sujeita a regras que as plataformas não conseguem, ou não demonstram conseguir, respeitar”, afirma. Entre os casos apontados estão anúncios fraudulentos que utilizavam indevidamente a identidade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para divulgar supostas oportunidades de resgate de recursos financeiros.
Segundo o laboratório, os anúncios direcionavam usuários para páginas que imitavam canais oficiais do governo federal. O estudo também identificou conteúdos comerciais associados à imagem do candidato Flávio Bolsonaro (PL), incluindo anúncios de produtos e serviços.
“Assim como no primeiro turno, os casos evidenciam os limites pouco claros entre a comercialização de produtos e a propaganda eleitoral, além de levantarem questões sobre a aplicação das regras de publicidade da Meta durante o período eleitoral”, dizem os pesquisadores em relatório.
Além disso, foi registrado um anúncio vinculado ao ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques. No Kwai, o laboratório relatou inconsistências nos dados da Biblioteca de Anúncios da plataforma.
Segundo o boletim, 19 anúncios eleitorais tiveram datas alteradas para incluir o dia da votação, embora aparecessem como inativos na interface pública. As divergências impediram a confirmação definitiva sobre a efetiva exibição dos conteúdos no dia do pleito.
O relatório também avaliou os sistemas de recomendação algorítmica de TikTok, Instagram e YouTube. Entre mais de 4,3 mil recomendações analisadas, o Instagram apresentou o maior volume de conteúdo político sugerido aos usuários simulados.
Já o YouTube foi a única plataforma a recomendar conteúdo de perfil oficial de candidata, com duas recomendações de conteúdos publicados por Celina Leão (PP), candidata ao governo do Distrito Federal.
Valor