Planalto parte para o ataque e quer vincular caso Master a Bolsonaro
O Palácio do Planalto está disposto a tentar vincular o caso Master ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. Alertado por parlamentares da base aliada que a oposição tentava ligar o banqueiro Daniel Vorcaro ao governo do presidente Luiz Inácio da Lula Silva, a gestão petista decidiu que era preciso reagir.
As reuniões com os deputados das CPI do Crime Organizado e do INSS aconteceram no começo da semana. Nas duas, foi informado ao governo que havia sido detectada a intenção de tentar ligar o governo ao escândalo do Master.
Depois disso, as revelações sobre o caso foram usadas pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, para atacar a oposição. Na terça-feira, quando a colunista Malu Gaspar revelou que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) voou em avião de Vorcaro durante a campanha eleitoral de 2022, ela fez uma postagem nas redes. “Foram dez dias voando pelo país nas asas do Master, junto com pastores da Igreja Lagoinha, a mesma do pastor Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Vorcaro, que foi o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio (de Freitas)”.
Nesta quarta-feira, após a nova prisão de Vorcaro e a revelação de que funcionários do Banco Central receberiam propina do banqueiro para encobrirem irregularidades do Master, Gleisi ligou os dois servidores à gestão de Roberto Campos Neto, ex-presidente da instituição nomeado por Bolsonaro
“A operação de hoje da Polícia Federal expõe definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master. O ex-diretor de Fiscalização do BC indicado por Bolsonaro, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe da Supervisão Bancária nomeado por Campos Neto, Belini Santana, recebiam dinheiro de Daniel Vorcaro para impedir a fiscalização do Master, de acordo com a investigação. Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?”, postou a ministra nas redes sociais.
Parlamentares da base aliada dizem que o governo não pode ficar na defensiva no caso e tem que explorar e bater na tecla de que o Master tinha vínculos com políticos bolsonaristas. Dentro dessa estratégia, os voos de Nikolas no avião do banqueiro devem ser muito explorados.
