247 – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não responder oficialmente às declarações de Donald Trump, que levantou suspeitas sobre a legitimidade das eleições brasileiras após a vitória do petista sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A avaliação no Palácio do Planalto é de que o questionamento feito pelo presidente dos Estados Unidos não terá consequências práticas e, por isso, não justifica uma reação diplomática neste momento.
Segundo o SBT News, integrantes do Planalto e do Itamaraty consideram que a manifestação de Trump pode ter ocorrido sob pressão do Departamento de Estado ndos EUA. A orientação predominante no governo brasileiro é evitar ampliar a repercussão da declaração e somente reconsiderar essa postura caso o presidente estadunidense faça novos ataques ao resultado eleitoral.
Lula foi reeleito no domingo (25), com uma vantagem de aproximadamente 4,4 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro, candidato que contou com o apoio de Trump e do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. O presidente dos Estados Unidos comentou o resultado apenas na tarde desta segunda-feira (26), quando sugeriu que a eleição brasileira havia sido manipulada, apesar de também destacar sua relação pessoal com Lula.
“Eu não governo o Brasil, eu governo os Estados Unidos. Eu só achei que as eleições… Eu gosto do Lula, me dou bem com ele.
Só acho que ele teve azar com a eleição, o jeito de que foi manipulada”, declarou Trump. A afirmação não foi acompanhada de evidências que sustentassem a suspeita de manipulação do processo eleitoral brasileiro.
Planalto avalia que declaração não terá efeitos concretos De acordo com a reportagem, a interpretação de interlocutores do governo brasileiro é de que Trump repetiu um comportamento já observado em outras disputas eleitorais: questionar a legitimidade de resultados políticos dos quais discorda.
Nesse contexto, integrantes do Executivo entendem que uma resposta direta poderia ampliar a visibilidade das acusações sem produzir benefícios diplomáticos para o Brasil. A avaliação também considera a possibilidade de influência de setores do Departamento de Estado sobre o posicionamento de Trump, hipótese levantada por fontes governamentais ouvidas pela emissora.
Alckmin rebate Trump e defende soberania brasileira Embora o governo não pretenda divulgar uma manifestação oficial, o vice-presidente Geraldo Alckmin criticou publicamente a declaração do presidente norte-americano.
Em entrevista à Rede Vanguarda, nesta segunda-feira, Alckmin classificou a acusação como equivocada e ressaltou que nenhum país deve interferir nos assuntos políticos internos de outro. “Olha, totalmente equivocada, né? Primeiro não se interfere na política de outro país.
Essa é uma regra basilar. Segundo não tem nenhum referencial pra dizer isso.
Aliás, o Brasil é um exemplo pro mundo. De urna eletrônica, de segurança jurídica.
Democracia é assim. Você ganha eleição, você perde a eleição, é o povo que decide”, afirmou.
A manifestação do vice-presidente contrapõe diretamente o questionamento de Trump ao princípio da soberania nacional e à legitimidade da escolha dos eleitores brasileiros. Alckmin também destacou a segurança do sistema eletrônico de votação, rejeitando a tentativa de colocar sob suspeita o resultado das urnas sem apresentar elementos que sustentem uma acusação de fraude.
Vitória de Lula recebe reconhecimento internacional Outro fator considerado pelo governo brasileiro é o reconhecimento da reeleição de Lula por diferentes lideranças internacionais, que começaram a cumprimentar o presidente ainda no domingo, após a divulgação do resultado.
Entre os chefes de Estado e de governo que enviaram congratulações estão representantes de Uruguai, Paraguai, Chile, Equador, Guiana, Peru, Guatemala, República Dominicana e Bolívia. A vitória do presidente brasileiro também foi reconhecida por lideranças de outras regiões, incluindo o presidente do Conselho Europeu, António Costa; o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney; a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi; e o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também cumprimentou Lula pela reeleição. Nesta segunda-feira, o presidente brasileiro conversou por telefone com a presidente do México, dando continuidade aos contatos diplomáticos após o segundo turno.
Segundo a reportagem, pelo menos outros dez líderes internacionais manifestaram interesse em conversar por telefone com Lula. A sequência de manifestações internacionais é vista pelo governo como um elemento que reforça o reconhecimento externo do resultado eleitoral e reduz a necessidade de responder diretamente às declarações de Trump.
Brasil 247