Pirarucus não sobem todos juntos, mas ao lado de colegas com necessidades de ar semelhantesDavid Bierbach, um dos autores do estudo/Divulgação/IGB Cardumes nadando em sincronia pode não ser uma novidade em geral. Contudo, segundo estudo alemão, outros peixes podem respirar em sincronia. É o caso do pirarucu, espécie amazônica que depende do ar atmosférico. O estudo “Air-breathing synchrony in juvenile Arapaima gigas reveals collective coordination under individual physiological constraints”, publicado na revista Communications Biology, demonstrou pela primeira vez que centenas de pirarucus jovens sincronizam as subidas na água em frações de segundo. Os pesquisadores foram liderados pelo Instituto Leibniz de Ecologia de Água Doce e Pesca Interior (IGB) e acreditam que o comportamento possa ajudar a evitar predadores e aumentar as chances de sobrevivência coletiva, mas a hipótese ainda não foi testada. O pirarucu (Arapaima gigas) está entre os maiores peixes de água doce do mundo, podendo ultrapassar dois metros e pesar quase 300 quilos. Diferente da maioria dos peixes, precisa do ar da superfície. Enquanto adultos sobem à cada 10 minutos, jovens precisam realizar a subida com muito mais frequência, em intervalos de 1 a 2 minutos. A adaptação permite que eles sobrevivam em águas pobres em oxigênio como as da Amazônia, segundo informações divulgadas pelo IGB. O estudo demonstrou que os pirarucus jovens não sobem sozinhos: eles sincronizam as respirações em grupos de centenas de jovens com precisão de segundos. A pesquisa utilizou uma instalação de aquicultura para observar cerca de 200 juvenis, dos quais cerca de 100 frequentemente subiam juntos à superfície dentro de somente 1 segundo para tomar ar. Por vezes, todos 200 emergiam simultaneamente. O comportamento altamente sincronizado se repetia a cada 15 segundos. Por outro lado, quando sozinhos, os intervalos eram totalmente diferentes, de volta ao padrão de 1 a 2 minutos. Como o cardume sincroniza a respiração?Apesar de parecer simples, sincronia de respiração não significa que todos os peixes subam simultaneamente para respirar. Por meio de simulações computacionais, os cientistas identificaram que a sincronia ocorre entre membros que têm necessidades similares de respiração.Primeiro porque, apesar de contraintuitivo, os peixes jovens diferem bastante na necessidade de ar entre si, conforme o tamanho. Segundo porque, dessa forma, cada indivíduo precisa fazer menos “concessões”: ao invés de subir toda vez, mesmo sem precisar, consegue poupar energia.De acordo com o IGB, os peixes que recém respiraram ficam de fora de uma próxima “rodada”. A sincronização foi batizada cluster synchrony (sincronia por agrupamentos) e permite que 75% do grupo participe dos episódios, sem que nenhum espere demais, nem suba demais, se expondo.Segundo o estudo, a decisão do momento de subida não é “consciente” ou “calculada”, como se o peixe imaginasse que determinados colegas vão subir em tal momento e, portanto, ele vai também.A lógica tem relação com regras simples de interação social entre o cardume. Cada peixe tem seu próprio tempo de respiração interno, uma resposta natural à necessidade do corpo.Quando nota que outros indivíduos começam a soltar bolhas ou nadar para cima, o pirarucu é estimulado a subir também, mais cedo do que emergiria caso estivesse sozinho.Ainda, a pesquisa cita que o posicionamento dos indivíduos dentro do grupo também tem relação com a sincronia. Peixes mais jovens, que respiram mais vezes, já ficam em partes superiores do grupo, que nada muito próximo, como fossem paredes ou cubos.Assim, o incentivo para subir depende da necessidade interna, da reação aos outros “colegas” e da identificação de similares. Quanto mais próximo está o “vizinho” que sobe, mais estimulado o peixe fica a subir também.Contudo, maiores detalhes sobre a posição e frequência respiratória ainda podem ser esclarecidos com outros métodos experimentais além dos utilizados nesta pesquisa.Sincronia respiratóriaConstruído com IA/Fonte: Air-breathing synchrony in juvenile Arapaima gigas reveals collective coordination under individual physiological constraints Comportamento pode ensinar a robóticaConforme o IGB, o princípio do comportamento pode ser útil para desenvolver modelos matemáticos para sincronização de grupos de robôs e enxames de drones, até mesmo entre equipamentos diferentes.Esse tipo de tecnologia poderia ser aplicado em monitoramentos ambientais, agricultura e até operações de busca e salvamento, sugere o IGB.
Pirarucus sobem juntos para respirar, revela estudo
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