O Ministério Público Federal denunciou 35 pessoas à Justiça Federal por envolvimento em um esquema de fraude contra o INSS em Minas Gerais. A denúncia aponta que os investigados conseguiram cadastrar 457 benefícios fraudulentos, principalmente do BPC, Benefício de Prestação Continuada, destinado a idosos em situação de vulnerabilidade.
Desses, 240 ainda estavam ativos quando a operação foi realizada. Segundo a investigação, o grupo teria provocado um prejuízo de mais de 86 milhões de reais aos cofres públicos com benefícios concedidos de forma irregular.
A suspensão dos pagamentos evitou, de acordo com o MPF, um prejuízo adicional estimado em 34 milhões e 800 mil reais. O esquema funcionava com a criação de identidades de pessoas que nunca existiram.
Os criminosos produziam registros de nascimento e outros documentos falsos para obter CPF e carteira de identidade e, posteriormente, solicitar os benefícios. Para movimentar o dinheiro, a organização usava pessoas reais como uma espécie de “dublês biométricos”.
Elas se apresentavam em agências bancárias e repartições públicas no lugar dos beneficiários fictícios. A fraude foi descoberta após a Polícia Federal realizar mais de 170 exames papiloscópicos e biométricos.
Os peritos identificaram a mesma impressão digital vinculada a diferentes identidades no sistema previdenciário. As ações ocorreram em cidades de Minas Gerais, incluindo Ribeirão das Neves, Matozinhos, Ipatinga, Timóteo e João Monlevade, além de São Gabriel da Palha, no Espírito Santo.
O Ministério Público Federal enquadrou os principais investigados por organização criminosa. Além das acusações criminais, o MPF pediu à Justiça Federal que mantenha as prisões preventivas dos investigados.
O órgão também solicitou o ressarcimento integral dos 86 milhões de reais apontados como desviados dos cofres da União e o bloqueio de bens dos denunciados. Agora, cabe à Justiça Federal analisar a denúncia e decidir se os investigados vão responder às acusações apresentadas pelo Ministério Público Federal.
CBN