A Polícia Federal identificou uma organização criminosa que usava uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro. Segundo a PF, o deputado eleito Márcio Canella (União), preso na manhã desta quinta-feira, era o elo entre o poder público, a rede de postos utilizada para lavar dinheiro do crime organizado e integrantes do grupo alvo da mais recente fase da Operação Unha e Carne. A investigação também apontou que a organização recebia informações privilegiadas de servidores do governo estadual, que avisavam sobre possíveis operações de fiscalização nos postos. Unha e Carne: Ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella e ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim são presos pela PF Lavagem de dinheiro: PF aponta movimentação de R$ 7,6 bi em esquema investigado em operação que prendeu Marcio Canella e ex-secretário de Polícia Civil do Rio De acordo com a Polícia Federal, Pablo Russo desempenhava um papel central na estrutura econômica da organização criminosa. Em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ele é apontado como responsável pelo controle da rede de postos de combustíveis, além de exercer funções de administração, coordenação financeira e interlocução com agentes públicos e particulares vinculados aos interesses do grupo. As investigações também identificaram comunicações entre Pablo Russo e servidores e fiscais vinculados ao Procon e à Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon). Por meio desses contatos, o grupo obtinha informações antecipadas sobre ações de fiscalização, o que permitia adotar medidas para evitar prejuízos aos empreendimentos controlados pela organização criminosa. Em uma conversa obtida pela PF, um advogado repassa a Pablo Russo informações sobre uma fiscalização que ainda seria realizada. Em uma mensagem de áudio encaminhada a Russo em 15 de abril deste ano, o homem avisa: “Amanhã vai ter fiscalização do Procon/Rio em São Gonçalo. Acabaram de avisar Tchetcheco aqui. E aí ele não sabe quais os postos que vão fazer. Mas amanhã de manhã, quando a equipe se encontrar, ele vai pegar a relação e vai me mandar. Mas, de antemão, é pra todo mundo ficar de alerta, tá?” Conversa obtida pela PF Reprodução A PF também apontou que o grupo obtinha diversas informações internas dos órgãos fiscalizadores, como documentos dos veículos utilizados pelos fiscais, cronogramas de fiscalizações da semana e horários em que as ações seriam realizadas, entre outros dados. De acordo com a investigação, foram identificados casos de violação de sigilo funcional e corrupção ativa e passiva. No relatório, a PF afirma que houve, “além de uma indecorosa troca de ‘favores’, evidente mercancia da função pública”. Quem são os presos? Márcio Correia de Oliveira, conhecido como Márcio Canella, é apontado como o principal articulador político da organização criminosa, fazendo a ligação entre o poder público, a rede de postos de combustíveis e os grupos armados. Segundo a investigação, Canella teria articulado a indicação de Marcus Amim para a presidência do Detran-RJ e, depois, para o comando da Polícia Civil. Para isso, teria atuado na aprovação de uma mudança na legislação da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Ele também é apontado como destinatário de grandes quantias em dinheiro e dono de bens de luxo que teriam sido comprados com recursos de atividades criminosas. Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, é apontado como o responsável por comandar, na prática, uma ampla rede de postos de combustíveis registrados em nome da mulher e da sócia dela. Segundo a investigação, ele usava procurações para administrar os negócios e esconder quem realmente estava no controle das empresas. A rede é apontada como a principal estrutura usada pelo grupo para lavar dinheiro, ocultando a origem dos recursos e quem eram seus verdadeiros donos. Marcus Vinícius Amim Fernandes é apontado como o responsável por garantir proteção policial à organização criminosa. Segundo a investigação, ele teria usado os cargos de comando que ocupou no Detran-RJ e na Secretaria de Polícia Civil para proteger as atividades do grupo. Também é apontado como sócio de pessoas que teriam emprestado seus nomes para esconder os verdadeiros donos dos negócios. Christiano Gaspar Fernandes e Giovanni Gaspar Fernandes aparecem em registros manuscritos de pagamentos frequentes que, segundo a investigação, podem ter origem em atividades criminosas. Os dois irmãos são identificados pelo codinome “Meninos” em planilhas que registravam a distribuição de dinheiro proveniente da rede de postos de combustíveis.
PF identifica grupo criminoso que recebia avisos de servidores estaduais sobre fiscalizações em postos de combustíveis
Fonte da notícia:
O Globo
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