A Polícia Federal (PF) apreendeu duas pistolas e dinheiro em espécie em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, no âmbito da operação que prendeu a mãe e o irmão do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam. No local, também foram encontrados celulares, relógios de luxo e um veículo. Agentes cumpriram 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Até o momento, 20 foram presos. https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Video-2026-10-19-at-10.48.18.mp4
https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Video-2026-10-19-at-10.48.17.mp4 A Operação Backbone visa desarticular o monopólio de internet do Comando Vermelho (CV) nos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na Zona Norte do Rio. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores em até R$ 558 milhões, alcançando 42 empresas e 40 pessoas físicas, que também tiveram as suas atividades econômicas suspensas.
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Entre os envolvidos no esquema, estão provedores de internet, produtoras de eventos, empresa de contabilidade e empresas de fachada. Em paralelo, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) receberá um ofício para a cassação das outorgas e a interdição dos serviços de telecomunicações prestados pelos empreendimentos na mira da PF. As investigações apontaram que traficantes armados cortaram cabos e incendiaram caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, de forma a forçar moradores e comerciantes a contratarem a “internet do tráfico”. Ao mesmo tempo, provedores autorizados pelo CV são obrigados a pagar uma tarifa mensal para operar nos territórios.
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“Registros contábeis da própria facção indicam que, em um único mês, a cobrança sobre o serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha”, afirmou a PF em nota. “A exploração desse serviço público tornou-se uma das principais atividades lucrativas do crime organizado e fomenta a guerra pelo controle de territórios: cada comunidade dominada representa uma base de clientes cativos e uma nova fonte de receita para a facção”, concluiu.
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Família de Marcinho VP Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, está entre os alvos da PF. Ele é marido de Márcia Gama, mãe de Oruam, que foi presa. Segundo as apurações, ele “continua a controlar as atividades empresariais exploradas nesses territórios, em conjunto com seus familiares e outras lideranças da facção”. O líder histórico do CV está na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, há três décadas. “Os lucros chegavam à família deste líder por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, e eram dissimulados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão – pagos em dinheiro vivo – e criptoativos”, acrescentou a Polícia Federal. Não é a primeira vez que Márcia é alvo de uma operação. No final de abril deste ano, ela foi alvo de uma ação contra lavagem de dinheiro para o CV. Ela foi presa preventivamente, mas solta em junho por decisão da Justiça do Rio. Em março, a mulher de Marcinho VP também esteve entre os procurados na Operação Contenção Red Legacy, que prendeu sete pessoas, incluindo o vereador Salvino Oliveira (PSD) — solto dias depois. Na ocasião, a polícia visava desarticular a estrutura nacional da facção.
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