PF aponta Vorcaro como 'profissional do crime' e Mendonça destaca atos de ‘intimidação’

 

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Ao autorizar a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e de seus aliados, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, ressaltou como a Polícia Federal identificou que o dono do Banco Master emitiu ordens diretas para atos de intimidação de concorrentes, ex-empregados e jornalistas. Os investigadores classificaram Vorcaro e os demais investigados presos nesta manhã como “profissionais do crime”.

“Atuam de forma coordenada, com a captação ilícita de servidores públicos dos mais altos escalões da república, ao mesmo tempo que buscam influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento do esquema criminoso multibilionário, buscando assim construir um cenário favorável de enfraquecimento do Estado e permanência da delinquência alcançada, mesmo que para isso tenham que se utilizar de atos de violência física e coação por meio de sua milícia”, ressaltou a PF ao pedir as prisões cumpridas nesta manhã.

A defesa de Vorcaro afirmou, em nota, que o banqueiro "colaborou de forma transparente com as investigações". Os advogados negam qualquer obstrução às investigações, assim como as imputações feitas pela PF ao banqueiro.

Os detalhes constam da decisão que Mendonça assinou para deflagrar a terceira fase da Operação Compliance Zero, realizada nesta manhã. No despacho, o ministro do STF reproduziu trechos do pedido que a PF apresentou à Corte pela prisão de Vorcaro. Após assinalar que o banqueiro e seus aliados são "profissionais do crime", a Polícia Federal sustentou que a investigação sobre as fraudes no Master estariam em risco.

“Risco concreto, inclusive quanto a integridade física dos servidores públicos responsáveis pela apuração (PF, MPF, STF, BCB), enquanto não houver a completa neutralização do braço armado da organização criminosa, em toda sua extensão, isto é, do comando exercido por Daniel Vorcaro, seu braço financeiro controlado por Fabiano Zettel, e seu “sicário” Felipe Mourão, além dos membros da “Turma” liderada pelo policial federal aposentado Marilson Roseno”, ressaltaram os investigadores.

Ao analisar o pedido, Mendonça ressaltou não só que os crimes sob suspeita envolvem “valores bilionários”, com “impacto potencial” no sistema financeiro nacional, mas frisou as evidências de tentativa de obtenção de informações sigilosas sobre investigações em andamento e monitoramento de autoridades. “E existem fortes indícios da existência de grupo destinado a intimidar adversários e a monitorar autoridades, o que revela risco concreto de interferência nas investigações”, completou.

O ministro entendeu que a liberdade dos investigados comprometeria a investigação e a “confiança social” na Justiça. Segundo Mendonça, permitir a liberdade de Vorcaro e de seus aliados “significa manter em funcionamento uma organização criminosa que já produziu danos bilionários à sociedade”. O magistrado ainda apontou risco concreto de destruição de provas, destacando que os investigados tem meios de acesso a documentos sensíveis e a sistemas estatais, “além do domínio de empresas instrumentalizadas para a prática de ilícitos de seus interesses”.

“A organização criminosa demonstra altíssima capacidade de reorganização, mesmo após deflagração de operações. Portanto, acaso os investigados permaneçam em liberdade, há o elevado risco de articulação com agentes públicos e da continuidade da prática de ocultação e reciclagem de capitais por meio da utilização de empresas de fachada”, ressaltou.