Dado como perdido, ‘O Judoka’ tem negativos e trailer encontrados em São Paulo; entenda a importância do filme

 

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Durante décadas tratado como um “filme fantasma”, “O Judoka” (1973) volta ao centro das discussões sobre memória audiovisual no Brasil. A recente localização de materiais do longa — incluindo negativos e o próprio trailer — em acervos de São Paulo reacende o interesse por aquela que é considerada a primeira adaptação cinematográfica de um super-herói dos quadrinhos no país.


Filme “O Judoka”, de 1973 (Foto: Divulgação)


Até pouco tempo, a existência de O Judoka era cercada por incertezas. O que se sabia com segurança era a sobrevivência de um trailer restaurado a partir de uma cópia deteriorada, preservado pela Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.


Esse material se tornou, por anos, a principal prova concreta de que o filme realmente existiu, funcionando como peça-chave para pesquisadores e fãs. O trailer oferece um raro vislumbre da produção: cenas de ação inspiradas nas artes marciais, estética típica dos anos 1970 e a tentativa de adaptar a linguagem dos quadrinhos para o cinema nacional.


A redescoberta mais recente amplia esse cenário. Em 2026, surgiram indícios de que os negativos de imagem e som do longa e do trailer estão preservados na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, passando por processos de duplicação e conservação.


Um filme perdido - e pioneiro


Dirigido por Marcelo Ramos Motta e estrelado por Pedro Aguinaga, o longa foi lançado em 1973, cinco anos antes de “Superman” (1978) popularizar o gênero nos cinemas hollywoodianos.


Apesar do pioneirismo, o filme teve vida curta:


ficou apenas uma semana em cartaz,


fracassou nas bilheterias,


e teve suas cópias dispersas ou desaparecidas ao longo do tempo.


Com isso, acabou entrando para a história como um dos grandes “filmes perdidos” do cinema brasileiro — um verdadeiro objeto de culto.


Quem é o Judoka?


Antes das telas, o personagem surgiu nos quadrinhos da Editora Brasil-América (EBAL) no fim dos anos 1960. Inicialmente derivado de uma publicação estrangeira, o título rapidamente passou a apresentar um herói brasileiro original, criado por Pedro Anísio e Eduardo Baron.


Nos gibis, o Judoka era apresentado como um herói nacional, com identidade própria e forte ligação com o contexto brasileiro — algo raro em uma época dominada por personagens importados.


No cinema, a trama acompanha Carlos, que após salvar um mestre japonês aprende judô e assume a identidade do herói.


Revista “O Judoka”, publicada pela EBAL | Foto: Velha Guarda Curitiba


A importância histórica


Mesmo com produção problemática e recepção negativa, O Judoka ocupa um lugar singular:


Primeira adaptação de HQ de super-herói no cinema brasileiro


Antecipou em anos a explosão mundial do gênero


Representa uma tentativa precoce de criar um herói genuinamente nacional nas telas


Além disso, o filme surgiu em um contexto específico: o início dos anos 1970, marcado pela popularização das artes marciais no cinema, influenciada por fenômenos internacionais como os filmes de kung fu.


Redescoberta e preservação


A possível recuperação de uma cópia completa muda o status da obra. O que antes era considerado perdido pode, enfim, ser estudado em sua totalidade — um avanço significativo para a historiografia do cinema brasileiro.


Mais do que uma curiosidade, o caso de O Judoka levanta questões importantes sobre preservação audiovisual no Brasil, evidenciando como produções inteiras podem desaparecer — e, décadas depois, ressurgir graças ao trabalho de arquivos e cinematecas.Fontes: Heloisa Tolipan | Universo HQB | Micaías Ramos | Canal Live de Quadrinhos


Assista ao trailer do filme:


https://youtu.be/JZGXrSaV5Fw?si=Q0-nq-BGhH1fQpzv