A Polícia Federal classifica o deputado eleito Márcio Canella (União), preso na manhã desta quinta, como "patrono político" e "articulador de alto escalão" de uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho. Segundo os investigadores, Canella seria o elo entre o poder público, uma rede de postos de combustíveis utilizadas para a lavagem de dinheiro do crime organizado e integrantes do grupo alvo da mais recente fase da Operação Unha e Carne. Ainda de acordo com a PF, a organização criminosa integrada por Canella tem um "ecletismo econômico e pragmatismo geopolítico que transcendem cisões faccionais". A corporação diz que o grupo estabeleceu "pontes operacionais com milícias e com o tráfico de drogas para fins de perenidade territorial e blindagem política".
"A inserção “Márcio Canella” nesse ecossistema paramilitar traduz-se em atos concretos de favorecimento e cooptação. A comprovação dessa alegação foi a nomeação de ex-vereadores sob investigação por liame miliciano ao seu quadro de secretários municipais em Belford Roxo", destacou a corporação ao pedir ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a abertura de operação que levou à prisão de Canella nesta manhã. Ainda de acordo com a PF, Canella também é "destinatário" de valores decorrentes de crimes cometidos pelas organizações criminosas. A corporação destacou o "vasto acervo de relógios de altíssimo valor, os dois veículos de luxo 0km/seminovos e às duas motocicletas de grife" apreendidos no inquérito. Segundo os investigadores, o cenário "converge com a hipótese criminal de lavagem de capitais". A corporação também destacou que indícios de atuação de Canella "em proveito de organizações criminosas" ganham mais peso com áudios divulgados pela imprensa. Segundo a PF, as gravações "descortinam espantoso cenário de simbiose espúria". Os investigadores destacaram então diálogos entre um capitão da PM e lideranças de cúpula do Comando Vermelho. Na visão deles, o PM "agia expressamente como canal de interlocução e intermediário dos interesses da gestão municipal chefiada por Canella.
O Globo