A PetroTal, maior produtora de petróleo do Peru, planeja iniciar uma campanha de perfuração em um bloco petrolífero na Amazônia, com o objetivo de quase dobrar sua produção em 2027, afirmou o diretor-presidente da companhia, Manolo Zúñiga-Pflücker. A campanha de perfuração, com duração de três anos, será realizada em um bloco do Campo de Bretaña, onde a empresa, atualmente, extrai 11 mil barris por dia de um “petróleo pesado limpo, com teor mínimo de metais”, que apresenta alta demanda entre as refinarias, disse Zúñiga-Pflücker em entrevista à Reuters.
“A ideia é chegar a 20 mil barris [...] e devemos atingir esse patamar em março do próximo ano”, afirmou. A PetroTal, com sede no Canadá, registrou produção média de quase 20 mil barris por dia no ano passado, embora a extração tenha recuado nos últimos meses devido a atrasos na obtenção de licenças ambientais e a desafios logísticos internos.
O Peru produziu, em média, 39,5 mil barris de petróleo bruto por dia em setembro, diante de uma demanda doméstica de 250 mil barris diários, segundo dados oficiais. Isso significa que o país precisa importar petróleo bruto para abastecer suas refinarias e combustíveis refinados para atender ao mercado interno.
A campanha de perfuração “exigirá um investimento enorme”, uma vez que o plano de desenvolvimento de reservas da companhia prevê a perfuração de 22 poços ao longo de vários anos, com custo médio de US$ 15 milhões por poço, explicou o diretor-presidente. Zuniga afirmou esperar financiar os investimentos com recursos existentes e fluxos de caixa operacionais futuros, sem a necessidade de levantar capital adicional.
Desafios logísticos Atualmente, o petróleo bruto produzido no campo de Bretaña, da PetroTal, é transportado por barcaças ao longo do rio Amazonas antes de ser carregado em embarcações maiores no Brasil para exportação.
Zuniga afirmou estar confiante de que a PetroTal poderá, eventualmente, voltar a utilizar o oleoduto da estatal Petroperu, que transporta petróleo da região amazônica peruana até a costa do Pacífico. O oleoduto, de 1.100 quilômetros de extensão, permaneceu praticamente inativo nos últimos anos devido às dificuldades financeiras da Petroperu e às interrupções recorrentes provocadas por comunidades que reivindicam maiores investimentos sociais.
Segundo ele, o oleoduto poderá ser reativado após o recente acordo da Petroperu com uma subsidiária da egípcia Cheiron Holdings para retomar a produção no Bloco 192, que já foi o maior campo petrolífero do Peru. Zuniga também afirmou que a PetroTal mantém relações sólidas com as comunidades próximas às suas operações, um fator fundamental em um país frequentemente afetado por conflitos sociais.
A companhia destina 2,5% da receita obtida com a produção a um fundo que financia projetos de desenvolvimento local.
Valor