Petrobras já adota 40h semanais e custo com empregados é de 6% do total de despesas

Petrobras já adota 40h semanais e custo com empregados é de 6% do total de despesas

Fonte: Bandeira



A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos intensificaram a pressão sobre o Senado para que vote, antes do recesso parlamentar que começa no próximo dia 18, a PEC 221/19, que reduz a jornada semanal e põe fim à escala 6x1 A proposta, aprovada na Câmara em maio, estabelece 40 horas semanais em cinco dias de trabalho com dois de descanso, em substituição às 44 horas semanais com apenas um dia de folga.


A carga horária de 40 horas já é aplicada aos funcionários próprios da Petrobras e o custo com pessoal da ativa representa, de acordo com a entidade, 6% das despesas totais do sistema.


"O avanço tecnológico e o aumento da produtividade têm que se transformar em menos horas de trabalho, sem redução de salários, e melhor distribuição da riqueza", destaca em nota a coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira.

Para ela, é urgente a votação da matéria.

"É essencial que todos tenham mais tempo para dedicar às suas vidas."


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A federação também cobra a redução da jornada dos prestadores de serviço da estatal, que hoje trabalham 44 horas semanais, e defende um projeto do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), o qual altera a escala de terceirizados em plataformas, de 15x15 para 14x21.


Mais lucro

Em análise do balanço do primeiro trimestre de 2026, o economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese - subseção Fup), disse que 11% do valor adicionado da estatal foi destinado aos trabalhadores, ante 30% aos acionistas, e avalia que o lucro de 2026 pode superar os R$ 110,1 bilhões de 2025.


Ele argumentou que aumentaram o preço do barril, a produção de petróleo, as exportações do produto e as vendas de refinado no mercado interno, possibilitando, assim, maior geração de riqueza adicionada.


"A distribuição do valor adicionado da Petrobras aos trabalhadores já esteve na faixa de 21%.

Nos últimos anos, porém, ela se mantém estável, no nível de 12% ao ano, apesar de aumentos nos lucros e no valor adicionado da estatal", informou Cararine.


Já uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sustenta que a redução de 44 para 40 horas teria impacto baixo na indústria e no comércio.

O aumento no custo operacional seria inferior a 1%, com efeito semelhante ao de reajustes históricos do salário mínimo, segundo o Ipea.