A Petrobras (PETR3;PETR4) vê as suas ações caírem cerca de 20% desde a semana passada. Até então, os ganhos eram de cerca de 100% no acumulado do ano, com a petroleira brasileira se destacando entre as maiores altas do Ibovespa, alta esta que ficou reduzida a cerca de 60% em 2026 – ainda bem expressiva, mas bem menor do que a registrada até a terceira semana de outubro.
O movimento de perdas coincidiu com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que surpreendeu boa parte dos investidores, que projetavam a vitória de Flávio Bolsonaro (PL), considerado mais pró-mercado. Mas a alta em boa parte do ano e a queda recente não se explicam apenas pelo fator político.A trajetória da Petrobras em 2026 foi marcada por uma combinação rara de fatores favoráveis.
De um lado, a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã elevou os preços do petróleo a níveis que impulsionaram os lucros das petroleiras globais. De outro, a estatal conseguiu combinar forte geração de caixa, perspectiva de dividendos elevados e uma política comercial que, mesmo alvo de debate, foi vista pelo mercado como relativamente preservada.
A partir do fim de outubro, porém, essa equação começou a mudar.Eleição e dúvidas sobre o diesel iniciaram a correçãoAs ações passaram a perder força logo após o segundo turno das eleições presidenciais. Além da reprecificação de ativos domésticos diante da continuidade do governo Lula, investidores passaram a monitorar com atenção o tema dos combustíveis.O debate ganhou força após surgirem informações de que a Petrobras enfrentaria dificuldades para cumprir as metas previstas em sua estratégia comercial para diesel, gasolina e GLP, levantando questionamentos sobre possíveis ajustes na política de preços e, principalmente, sobre o grau de preservação da governança da companhia.Nesse contexto, o mercado voltou a discutir um dos principais riscos historicamente associados à estatal: a possibilidade de interferência política na definição dos preços dos combustíveis.Apesar da preocupação, os grandes bancos internacionais mantiveram uma visão relativamente construtiva para a companhia.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe em meio a balanços e dados dos EUABolsas dos EUA operam de forma mista após payroll maior que o esperadoO JPMorgan reiterou recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) e destacou que a principal questão não é necessariamente o nível dos preços dos combustíveis, mas sim a preservação do atual arcabouço de governança.
O banco estima rendimento de fluxo de caixa livre de 17,5% para 2027 e avalia que a estatal continua negociando com desconto relevante em relação às petroleiras internacionais.O Morgan Stanley seguiu linha semelhante, afirmando que o mercado passou a precificar um cenário excessivamente pessimista para a companhia.
Segundo o banco, mesmo em exercícios que simulam retirada de subsídios, ausência de reajustes nos combustíveis e aumento da tributação, a Petrobras continua apresentando forte geração de caixa e dividendos atrativos. O banco manteve recomendação overweight e preço-alvo de US$ 31 para os ADRs (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York) da companhia.Petróleo entra em cena e amplia as perdasNesta última semana, as eleições – de outro país – influenciaram e muito o cenário para a Petrobras.
Após as eleições legislativas americanas, o petróleo registrou uma forte correção. A vitória dos democratas para o controle do Congresso aumentou a percepção de que o governo de Donald Trump poderá enfrentar maior pressão para buscar uma solução negociada para o conflito com o Irã.A perspectiva de redução do prêmio geopolítico embutido na commodity levou o Brent a despencar cerca de 17% em relação às máximas de outubro, passando de aproximadamente US$ 118 para perto de US$ 98 por barril.
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