Pesquisas ‘derrubam’ vitória em 1º turno, mas PT vê voto útil de Flávio atingir teto

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Fonte da notícia: Valor Valor

As pesquisas de opinião de voto divulgadas neste sábado (3) serviram como um banho de água fria entre os membros da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre uma possível vitória em primeiro turno. Por outro lado, trouxeram uma percepção interna de que o mutirão de voto útil pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) esteja atingindo o seu teto.

No Datafolha, Lula se manteve com 42% das intenções ao passo que Flávio subiu dois pontos para 40%. Na Quaest, o presidente subiu um ponto, para 40%, e o senador, quatro, para 38%. Ambos indicam empate técnico na margem de erro e destoam ligeiramente do tracking interno do PT, que indica o petista nesta faixa, porém não acompanhou a escalada do adversário.

As pesquisas não foram recebidas com surpresa, mas levantaram um desapontamento no entorno petista. Na última semana, o presidente realizou grandes atos eleitorais pelo país e, com o último descolamento de Flávio após os episódios da Nossa Senhora e das bets, havia muitos que realimentaram um discurso de vitória no primeiro turno, algo inédito para o partido e que só chegou a ser cogitado no início do ano, e não depois da crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF).

Até então, a avaliação é que a campanha havia finalmente retomado a "alma" das antigas candidaturas petistas, com grandes eventos e mobilização popular. Por outro lado, segue uma preocupação do quanto esses movimentos não seguem falando com as mesmas pessoas, em vez de "furar a bolha" do patamar de 40%.

Para os mais realistas, as pesquisas vieram confirmar que este respiro nas duas últimas semanas chegou ao seu teto e, sem que os dados tenham mostrado uma tangente de alta para o petista, é "muito improvável" que o resultado seja definido neste domingo (4). Interlocutores da campanha evitam falar disso publicamente, para não desencorajar possíveis indecisos, e até o fechamento das urnas o discurso de vitória deverá ser repetido, inclusive pelo presidente.

"É por isso que eu quero o quarto mandato: para seguirmos juntos, de cabeça erguida, conquistando mais direitos e mais dignidade para todos e todas", publicou Lula, na rede social X nesta noite. "O Brasil está pronto para mais. Vote com a esperança do Brasil que você quer."

Por outro lado, os mesmos interlocutores analisam que, ao mostrarem o quadro estreito, as pesquisas evitam qualquer surpresa nas urnas quanto ao voto útil e mostram sua limitação. Nas duas últimas semanas, apoiadores de Flávio intensificaram a frente em prol do voto útil, tentando, inclusive, pedir a desistência de Romeu Zema (Novo), como ocorreu com a candidatura de Ricardo Salles (Novo) ao Senado por São Paulo, que abriu mão em nome dos candidatos mais próximos ao senador e ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Na leitura petista, este crescimento de Flávio se dá em especial pela desidratação de Zema, Augusto Cury (Avante) e até de Ronaldo Caiado (PSD), cujos eleitores que já votariam no senador no segundo turno decidiram migrar desde já. Para estes articuladores, as pesquisas acabam mostrando um movimento que acabaria ocorrendo de qualquer forma na próxima etapa, mas que não revelam uma mudança entre os indecisos.

É nisto que os petistas seguem tentando se fiar tanto nessas últimas horas quanto para um possível segundo pleito. Eles dizem avaliar que o percentual de indecisos, aqueles que só decidem o voto na véspera ou a manhã da votação, segue em jogo e que, como incumbente, Lula tem uma vantagem óbvia por ter a máquina na mão. Por ora, a expectativa entre lulistas é que esta alta do bolsonarista se mantenha neste nível.

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