Pesquisadores identificam nova espécie de tubarão que

Pesquisadores identificam nova espécie de tubarão que 'caminha' no fundo do mar

Fonte: Bandeira



Uma equipe internacional de pesquisadores identificou uma nova espécie de tubarão capaz de "andar" pelo fundo do mar usando as nadadeiras. Batizado de Hemiscyllium dudgeonae, ou tubarão-andador de Dudgeon, o animal foi encontrado em águas rasas da Baía de Milne, na Papua-Nova Guiné, ao norte da Austrália.

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A descoberta representa a primeira nova espécie descrita desse grupo desde 2013. Ela parece existir apenas em uma pequena região do Pacífico, o que preocupa os pesquisadores acerca de sua conservação.

Como é o tubarão

O tubarão mede cerca de um metro de comprimento, é ativo principalmente à noite e não representa perigo para os seres humanos. Como outros integrantes do gênero Hemiscyllium, ele utiliza as quatro nadadeiras como se fossem patas, deslocando-se lentamente sobre recifes e áreas rasas, inclusive durante a maré baixa.

Tubarão da espécie Hemiscyllium dudgeonae, descoberta em Papua-Nova Guiné, ao norte da Austrália

Nesha Ichida

A espécie foi descoberta durante uma expedição liderada por pesquisadores da Universidade da Sunshine Coast, na Austrália, que estudavam populações de tubarões-epaulette ameaçados de extinção. Os cientistas perceberam que alguns exemplares apresentavam marcas brancas em forma de traços ao longo do corpo marrom, diferentes das manchas típicas observadas em espécies semelhantes. Após análises genéticas realizadas na Austrália, foi confirmado que se tratava de uma espécie até então desconhecida pela ciência.

Ao longo de dois dias de trabalho de campo, os pesquisadores encontraram 12 indivíduos com o mesmo padrão de coloração. O nome científico homenageia a geneticista e ecologista marinha Christine Dudgeon, especialista em tubarões que participou da expedição e capturou o primeiro exemplar observado pelos cientistas.

Pesquisadora Chris Dudgeon posa com tubarão cuja espécie foi nomeada em homenagem a ela

Nesha Ichida

Além da descoberta da nova espécie, o estudo trouxe informações inéditas sobre a distribuição geográfica dos chamados tubarões-andadores na região da Nova Guiné. Os pesquisadores verificaram que algumas espécies possuem áreas de distribuição sobrepostas, contrariando a hipótese anterior de que estariam separadas por barreiras naturais como rios ou águas profundas.

Os cientistas demonstraram preocupação com o futuro do Hemiscyllium dudgeonae. Por viver em uma área extremamente limitada, o animal pode ser especialmente vulnerável à degradação dos recifes, à pesca e aos impactos das mudanças climáticas. A equipe pretende coletar novos dados para subsidiar uma futura avaliação da espécie pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), responsável pela Lista Vermelha de espécies ameaçadas.