Beatriz Bevilaqua, 247 – Transformar conhecimento científico em um negócio capaz de resolver problemas concretos da sociedade é um dos desafios do empreendedorismo de base tecnológica. No Rio Grande do Sul, a TideSat Global percorreu esse caminho ao desenvolver um sensor para monitorar o nível da água que permaneceu operante durante as enchentes de 2024, quando equipamentos convencionais instalados próximos aos rios foram danificados pela inundação.
“Nosso sensor foi o único a ficar operante aqui durante as enchentes na capital gaúcha”, afirma Vitor Hugo Almeida Júnior, cofundador da TideSat Global, em entrevista à TV 247.
Criada em 2020 a partir de pesquisas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a startup levou quatro anos para registrar seu primeiro faturamento, no fim de 2024. Hoje, conta com mais de 30 sensores em operação no estado e atende instituições públicas, universidades e organizações ligadas ao monitoramento ambiental.
A trajetória da empresa evidencia tanto o potencial comercial da pesquisa universitária quanto os desafios de transformar uma inovação científica em um negócio sustentável, desde o financiamento do desenvolvimento tecnológico até a conquista de clientes e a expansão da operação.
Da universidade ao mercado
A tecnologia da TideSat utiliza sinais de satélites de navegação refletidos pela superfície da água para medir seu nível. Diferentemente de equipamentos instalados nas proximidades dos rios, o sensor pode ficar em estruturas elevadas, longe do alcance das cheias, reduzindo o risco de danos justamente quando o monitoramento se torna mais necessário.
Para Vitor, um dos principais desafios do empreendedorismo científico é transformar anos de pesquisa em uma tecnologia que possa ser utilizada pela população. “O processo exige conciliar o rigor do desenvolvimento acadêmico com as necessidades práticas de quem vai utilizar e contratar a solução”, explica o cofundador.
O tempo necessário para desenvolver e validar uma tecnologia é um dos obstáculos enfrentados por startups de base científica. O acesso a editais de fomento e a mecanismos de apoio à ciência e à inovação pode ajudar iniciativas semelhantes a atravessar esse período.
Atualmente, a TideSat reúne cerca de dez pessoas, entre sócios, estagiários e bolsistas de iniciação científica e mestrado. O professor Felipe Nevinski, ligado à origem acadêmica do projeto, permanece como conselheiro e mentor da empresa.
A estratégia de expansão combina a instalação dos equipamentos com o desenvolvimento de uma plataforma de visualização de dados. A proposta é tornar as informações mais simples de interpretar e ampliar sua utilidade para gestores públicos, pesquisadores e equipes de Defesa Civil.
Entre os diferenciais estão o custo inferior ao de soluções convencionais, a instalação em uma a duas horas, inclusive em locais de difícil acesso, e a possibilidade de posicionar o equipamento longe da água, reduzindo sua exposição às inundações.
Mais do que desenvolver um sensor, a startup busca ampliar a disponibilidade de informações essenciais para a prevenção de desastres. Sua trajetória mostra como o empreendedorismo científico pode conectar pesquisa, mercado e impacto social, ao mesmo tempo que enfrenta o desafio de construir um negócio capaz de crescer a partir de uma inovação brasileira.
Assista o programa na íntegra aqui:
Brasil 247