Pesquisadores criam pneu em que é possível trocar só a parte desgastada

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Pneus são produtos com alto impacto ambiental: têm elevada emissão de gases na fabricação, geram microplásticos devido ao desgaste da banda de rodagem e são difíceis de serem reciclados.

Visando uma alternativa mais sustentável, pesquisadores da Universidade Carlos III de Madrid (UC3M), da Espanha, projetaram e testaram um novo tipo de pneu modular como parte de seu programa ECOTIRE. A proposta é substituir a ligação química tradicional por uma ligação estritamente mecânica. Sendo assim, a equipe desenvolveu uma banda de rodagem removível de silicone que, como garante, pode aumentar significativamente a durabilidade, reduzir o desgaste abrasivo e mitigar a poluição causada pelo descarte da borracha.

O projeto preserva a estrutura principal da roda (a carcaça), substituindo apenas a banda de rodagem quando esta se degrada. "À medida que se desgasta, um pneu convencional libera partículas altamente nocivas na atmosfera. O uso de uma ligação mecânica permite a combinação de materiais mais sustentáveis ​​e biocompatíveis", disse Daniel García-Pozuelo, do Departamento de Engenharia Mecânica da UC3M. Em artigo publicado na revista Applied Sciences, ele e seus colegas relataram que a borracha de silicone apresenta aproximadamente dez vezes menos deterioração e oferece maior estabilidade que a convencional. Além de criar um pneu mais sustentável, o ECOTIRE busca um pneu mais inteligente. "Nós imaginamos um pneu inteligente e instrumentado que forneça dados essenciais para o veículo e a infraestrutura, adaptando-se perfeitamente às necessidades dos veículos autônomos", indicou García-Pozuelo. Essa instrumentação, de acordo com os pesquisadores, permite a medição em tempo real de variáveis ​​críticas da dinâmica do veículo, como as forças transmitidas à estrada, a pressão de contato, o ângulo de deslizamento e o coeficiente de atrito disponível.

Com isso, o pneu deixa de ser um componente passivo e passa a "informar" proativamente os Sistemas Avançados de Assistência ao Condutor (ADAS) ou o computador central do veículo autônomo sobre perigos iminentes, como aquaplanagem ou placas de gelo, permitindo que sistemas como o ABS ou o controle de estabilidade intervenham antes que o motorista perceba o perigo. A equipe afirmou que testes experimentais com o protótipo físico produziram resultados promissores. "O comportamento do nosso pneu já é suficientemente semelhante ao dos pneus convencionais, de modo que estamos muito perto de transferi-lo para a indústria em conjunto com empresas do setor, embora ainda haja um longo caminho a percorrer até que chegue ao público", conclui García-Pozuelo.

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