Pesquisadores brasileiros farão expedição a vales e montanhas submarinas no fundo do Oceano Atlântico; entenda

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Uma expedição científica liderada por pesquisadores brasileiros partirá neste domingo (20), de Fortaleza, rumo a uma das regiões profundas e pouco conhecidas do Oceano Atlântico. O grupo vai explorar a Zona de Fratura Romanche, uma formação submarina de aproximadamente 1 mil quilômetros de extensão, composta por uma sequência de montanhas e vales localizada a meio caminho entre a costa Nordeste do Brasil e o oeste do continente africano. Vídeo viraliza: Pescador sobe em dorso de baleia para cortar rede em que estava presa e salvar animal Elias 2-24 b: saiba como foi encontrado o planeta mais jovem já conhecido, com menos de 1 milhão de anos A equipe conta com seis professores universitários brasileiros — três da Univali, um da Universidade de São Paulo (USP), um da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e um da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) —, além de sete estudantes, um pesquisador e a tripulação. Batizada de The Gap, a expedição utilizará equipamentos de alta tecnologia para mapear o fundo oceânico, investigar suas comunidades de vida e coletar amostras de rochas e organismos que vivem nas paredes da formação. As atividades serão realizadas em profundidades de até 4,5 mil metros. Relação entre superfície e fundo do oceano Um dos principais objetivos dos cientistas é entender como um fenômeno conhecido como ressurgência equatorial influencia os ecossistemas existentes nas regiões profundas. A ressurgência ocorre quando águas mais frias e ricas em nutrientes sobem para a superfície do oceano. O fenômeno, que é sazonal e provocado principalmente pelos ventos alísios, ocorre em regiões intertropicais e favorece o aumento das populações de animais microscópicos, que formam uma das bases da cadeia alimentar marinha. A equipe quer investigar se essa maior disponibilidade de alimento na superfície tem efeitos sobre as comunidades que vivem a milhares de metros de profundidade. — Nosso principal foco é identificar e mapear a relação da ressurgência com as comunidades profundas, além de estudar a dinâmica das correntes e a morfologia dos habitats de fundo, observando a influência dessa produção de alimentos na superfície sobre esse fundo — explica o professor José Angel Perez, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que lidera a expedição. Segundo Perez, compreender esses mecanismos é importante porque cerca de 70% da crosta do planeta está em regiões de oceano profundo, mas menos de 1% dessas áreas é conhecido. A intenção dos pesquisadores é reunir evidências sobre a biodiversidade existente nesses ambientes e sobre os impactos da ação humana. Os dados poderão subsidiar estudos futuros e ajudar a demonstrar a importância da preservação de áreas de oceano profundo. Mudanças climáticas também serão investigadas Além da biodiversidade e da dinâmica das correntes, os pesquisadores estarão atentos aos efeitos das mudanças climáticas sobre as comunidades marinhas. Os ventos que atuam na região vêm apresentando alterações, o que pode interferir em diferentes pontos da cadeia alimentar. O cenário é agravado pela acidificação dos oceanos, processo que também ameaça importantes reservatórios de vida marinha, entre eles os recifes de corais. Como será a exploração a 4,5 mil metros A primeira etapa da expedição deve começar por volta de 25 de setembro, quando a equipe chegar à região da Zona de Fratura Romanche. Durante aproximadamente dois dias, os pesquisadores utilizarão uma sonda acústica instalada no navio de pesquisa Falkor para produzir um mapa inicial da formação submarina. Depois, será a vez do SuBastian, um robô operado remotamente (ROV) capaz de alcançar 4,5 mil metros de profundidade. O equipamento é conectado ao navio por um cabo, por meio do qual é pilotado, e será utilizado para chegar aos paredões submarinos, coletar amostras e registrar detalhes das áreas investigadas. A operação do ROV será transmitida ao vivo, com narração, pelo canal do Schmidt Ocean Institute (SOI), instituição que patrocina a expedição e cedeu os equipamentos. — É uma coisa nova pra mim também, mas acho muito, muito gratificante a gente poder trabalhar e mostrar para todo mundo, para o mundo inteiro, cada momento disso — conta Perez. Os pesquisadores também farão chamadas em tempo real com instituições de ensino previamente selecionadas para apresentar o trabalho realizado durante a expedição. Nas áreas consideradas mais promissoras, a equipe utilizará ainda um submarino autônomo. O equipamento poderá se aproximar ainda mais do fundo e produzir mapas com precisão de centímetros, permitindo um nível de detalhamento superior. O procedimento será repetido em uma segunda área de pesquisa, mais próxima da costa africana. Resultados podem render estudos por uma década A expectativa é que os primeiros resultados sistematizados da expedição sejam apresentados em aproximadamente dois anos. No entanto, o material coletado deverá alimentar pesquisas por um período muito maior. — Mas é claro que com todos os especialistas a bordo e todos os alunos que estão lá também estarão fazendo seus trabalhos, e podemos dizer que estes resultados devem render ainda por cerca de uma década — aponta Perez. Ao todo, 25 especialistas de cinco nacionalidades participarão da expedição, que tem previsão de terminar em 26 de outubro, com o desembarque da equipe em Gana. Em 2026, o instituto Schmidt Ocean promove outras oito expedições no Atlântico Sul e no Caribe. Todas são realizadas sem fins lucrativos e têm como compromisso a disponibilização pública dos resultados das pesquisas produzidas pelas equipes científicas. A Univali integra o Programa de Mar Profundo, do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), e participa de expedições dessa natureza desde 2009. A instituição já esteve envolvida em missões realizadas em 2013, 2018, 2019, 2022 e 2025.

(Com Agência Brasil)

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