Mais desemprego, menos renda e mais analfabetismo: os desafios dos PCDs no país

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Fonte da notícia: CBN CBN

Fernanda Ribeiro é estudante de Relações Internacionais e formada em Administração. Apesar de já estar na segunda graduação, encontra dificuldades de conseguir um emprego. E o motivo passa longe de ser o currículo, mas sim uma condição física: a perda auditiva. A dificuldade de Fernanda não é um caso isolado. Um estudo divulgado pelo IBGE aponta que apenas três em cada dez pessoas com deficiência conseguem trabalho no país. A taxa de ocupação entre os PCDs é de 29%, quase metade da vista entre pessoas sem deficiência, que é de 55,8%. Os dados têm como base o Censo de 2022. Fernanda Ribeiro conta que os obstáculos começam já nos processos seletivos. 'A maioria das entrevistas que eu faço é online, então normalmente aumento o volume do notebook. Hoje existem programas que você pode instalar no notebook ou no computador, de forma que se compreenda melhor o que está sendo dito entre você e o entrevistador. Mas eu já tive alguma dificuldade, sim. Quando eu não sabia que existia esse tipo de programa, às vezes eu não escutava. Eu pedia por favor para o entrevistador falar mais perto do microfone. Tinha esse pequeno contratempo, não é?' A dificuldade de empregabilidade é ainda pior entre quem tem deficiências mais severas, como as mentais. O estudo do IBGE também mostrou que as pessoas com deficiência recebem menos. Em média, ganham R$ 2.053 por mês contra R$ 2.890 entre as pessoas sem deficiência. O analista do IBGE, André Simões, explica essa diferença: 'Isso se deve ao fato de que, entre a população com deficiência, há uma menor participação no mercado de trabalho e, quando há essa participação, o rendimento acaba sendo menor do que aquela população sem deficiência. Da mesma forma, a estrutura etária da população com deficiência é mais envelhecida, com a participação maior de pessoas com mais de 60 anos de idade, o que faz com que haja um peso maior tanto de aposentadorias e de pensões na estrutura desse rendimento.' A diferença de renda também se reflete nas condições de vida. Uma a cada três pessoas com deficiência está abaixo da linha de pobreza. Entre as crianças de 2 a 14 anos nessa condição, a proporção chega a seis em cada dez. A pesquisa também aponta dificuldades relacionadas à acessibilidade. Apenas 34,5% das pessoas com deficiência no Brasil vivem em municípios que realizam adaptações em espaços públicos. E dois em cada três PCDs residem em moradias sujeitas a obstáculos nas calçadas. O psicólogo Matheus Souza tem uma deficiência física congênita que afeta o equilíbrio e provoca dores. As dificuldades de acesso o fizeram abrir mão de uma vaga de trabalho. 'Por motivos de deslocamento, por ter muitas dificuldades em relação a onde ficava o local de trabalho e onde eu resido, eu preferi abrir mão da vaga por causa desse tipo de dificuldade. Não é apenas a distância em si, mas o acesso aos lugares. Por causa desses complicadores, eu preferi novamente sair [do trabalho] e agora estou novamente desempregado.' Na educação, um indicador chama a atenção: 12% das pessoas entre 15 e 29 anos com deficiência não tem habilidade de ler e escrever. Entre os jovens que não tem deficiência, a taxa de analfabetismo é de apenas 1%. Em 2022, havia 14 milhões e 400 mil pessoas com deficiência no Brasil, ou 7,3% da população. A dificuldade mais comum é para enxergar, condição que atinge 4% dos brasileiros. Em seguida vêm as dificuldades para caminhar ou subir degraus e para pegar objetos pequenos. Dificuldades associadas a funções mentais atingem pouco mais de 1% da população, bem como a dificuldade para ouvir.

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