Pacientes com doenças crônicas costumam pesquisar sintomas na internet antes de procurar um médico, e a maior parte dos relatos sobre esse comportamento nas redes sociais se concentra justamente nesse intervalo. Um levantamento da agência Macfor, especializada em dados e estratégia digital, identificou que 80,7% das experiências de pacientes publicadas nas redes estão ligadas ao período anterior à consulta médica.
O estudo, intitulado “Saúde & influênc.IA”, foi divulgado nesta sexta-feira (30) e analisou 28.516 menções públicas no Instagram, Facebook, Bluesky, LinkedIn e Reddit. A coleta foi feita entre 20 de julho e 19 de agosto de 2026, com foco em 15 condições crônicas, entre elas diabetes, hipertensão, fibromialgia, asma, enxaqueca, obesidade, endometriose, hipotireoidismo e lúpus.
As dúvidas mais comuns giram em torno da normalidade dos sintomas, de possíveis causas, das formas de alívio e do momento certo de procurar um médico. Entre as perguntas mais recorrentes, quatro em cada cinco estavam ligadas ao período anterior ao atendimento.
A divisão dos relatos pessoais segue a mesma lógica. A fase de busca por explicação para o que se sente aparece em quase todos os casos, enquanto as etapas posteriores ao diagnóstico ocupam uma fatia pequena da conversa pública.
Medo ou ansiedade foi o marcador de vulnerabilidade mais frequente nas publicações pessoais, presente em 8,7% das menções classificadas. Para Fabrício Macias, cofundador e VP de Marketing da Macfor, a menor presença da fase de compreensão do diagnóstico na conversa pública não significa que as dúvidas foram resolvidas.
Ele afirma que é justamente nessa etapa que aparece a maior proporção de sentimento negativo, o que torna a fase de entendimento do diagnóstico a mais sensível da jornada. Os relatos diminuem quando a dúvida se torna mais complexa, o que indica que muitos pacientes deixam a conversa sem ter a questão esclarecida.
No caso da diabetes, o sentimento negativo apareceu em 19,8% dos relatos de experiência do paciente, contra 7,2% das publicações institucionais ou informativas sobre a mesma condição. A diferença foi de 12,6 pontos percentuais.
Na prática, o tom dos relatos pessoais é mais negativo do que o das publicações informativas. Entre os emissores identificados nos relatos pessoais, influenciadores e perfis individuais representam 53,7%.
Médicos e especialistas respondem por 19,5%, enquanto clínicas, hospitais e institutos somam 3,3%. A maior parte dos relatos, portanto, chega ao público por perfis que não são de profissionais de saúde, o que reforça a importância de quem fala sobre a doença nas redes.
Na amostra total, 81,7% das menções têm características de conteúdo institucional ou informativo, e 18,3% trazem marcadores de experiência do paciente. Ou seja, o conteúdo informativo domina o volume, mas é nos relatos pessoais que aparecem com mais força o medo e a dúvida sobre o que o corpo está sentindo.
A pesquisa também enviou 540 perguntas sobre saúde, separadamente, ao ChatGPT e ao Gemini, o que gerou 1.080 respostas. O objetivo foi entender como essas ferramentas respondem às dúvidas que os pacientes levam à internet.
O estudo registrou a presença de alertas, de vocabulário diagnóstico, de perguntas no encerramento das respostas e de referências explícitas. A frente de social listening reuniu menções públicas coletadas nas cinco redes, e a análise foi feita sobre o conjunto de publicações, não sobre pacientes individualmente.
A Macfor se apresenta como agência de marketing e publicidade full service que combina estratégia, ciência de dados e criatividade, com frentes como a Macfor Health, dedicada à saúde. O estudo não avaliou a qualidade ou a validade clínica das fontes citadas pelas ferramentas de IA, e os números dizem respeito ao período de 20 de julho a 19 de agosto de 2026.
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