Pequeno produtor acha no Fiagro o crédito que o título do agro não dá mais

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) informou nesta terça-feira (20) que o mercado de capitais brasileiro captou R$ 556,7 bilhões em ofertas entre janeiro e setembro de 2026. O volume é o maior da série histórica iniciada em 2012, ficou 5,3% acima dos nove primeiros meses de 2025 e veio em 2.311 operações, alta de 10,9%. O giro estrutural do ano não está no total, está na composição. O financiamento do pequeno produtor migrou do título clássico do agro para os fundos abertos ao investidor comum. O crédito do agro trocou de mãos O Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) caiu 62,3% e somou R$ 11,1 bilhões em emissões no período. Os fundos de investimento nas cadeias produtivas do agronegócio (Fiagros) fizeram o movimento oposto, com captação de R$ 10,2 bilhões, quase o quádruplo do ano anterior, e salto de 31 para 95 operações. Segundo a Anbima, os Fiagros passaram a financiar pequenos produtores e empresas que não se enquadram mais nas regras de emissão de CRAs. A mudança de critério redistribuiu o crédito do campo em um único ano. O CRA nasceu da Lei 12.431, de 2011, e é emitido por securitizadoras que convertem recebíveis do campo em título negociável. O Fiagro foi regulamentado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 2021, com o objetivo declarado de aproximar o investidor comum das cadeias do agro. Para a pessoa física, a porta mudou de endereço sem perder o atrativo fiscal. CRA e cota de Fiagro compartilham a isenção de imposto de renda, e o dinheiro aplicado no fundo vira crédito direto para o produtor e para a empresa que o instrumento tradicional parou de atender. Imobiliários e híbridos aceleram Os fundos imobiliários (FIIs) levantaram R$ 70,6 bilhões nos nove primeiros meses, expansão de 114,3% sobre 2025. Junto com os Fiagros, empurraram os instrumentos híbridos a R$ 80,8 bilhões, alta de 127%. A Anbima enxerga consolidação interna nos imobiliários. Fundos compram fundos, fundos compram imóveis de empresas, e boa parte das ofertas serviu também como pagamento dessas operações, além da entrada de investidor novo. Para o diretor da Anbima, Cesar Mindof, a mudança na composição das ofertas diz mais sobre o ano do que o recorde do volume. Na leitura dele, a volta das ofertas iniciais de ações (IPOs) e a expansão de FIIs e Fiagros mostram resiliência e amadurecimento do mercado brasileiro. Ações recuperam espaço A renda variável alcançou R$ 34,8 bilhões até setembro, contra R$ 4,2 bilhões no mesmo período de 2025, superando o registrado nos três anos anteriores. Os IPOs somaram R$ 3 bilhões após anos de seca, e as emissões de companhias já listadas chegaram a R$ 31,8 bilhões. Debêntures recuam e renda fixa segue líder A renda fixa respondeu por R$ 441 bilhões da captação e continua sendo o motor do mercado. As debêntures, destaque dos anos anteriores, recuaram 18% e somaram R$ 261,2 bilhões, com queda tanto nas corporativas quanto nas incentivadas, isentas para a pessoa física. Uma categoria descolou da queda. As debêntures de securitização avançaram 40,1% e atingiram R$ 45,6 bilhões, enquanto o mercado secundário negociou R$ 689 bilhões em debêntures até setembro, alta de 5,8%, puxada pelas incentivadas. O recorde de R$ 556,7 bilhões mostra um mercado maior, mas o número que muda a vida no campo é outro. O pequeno produtor, que ficou fora do CRA, passou a financiar a safra com o dinheiro de quem compra cota de fundo na bolsa. Com informações da Money Times e da Exame (20/10/2026).

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