Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey (MBARI, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, conseguiu registrar em resolução 4K um dos peixes mais incomuns das profundezas do oceano: o Macropinna microstoma, conhecido como peixe-de-cabeça-transparente ou peixe-olhos-de-barril.
O animal foi encontrado a cerca de 600 metros de profundidade, a aproximadamente 90 quilômetros da costa da Califórnia, no oceano Pacífico. A gravação permite observar detalhes de sua anatomia, especialmente a estrutura transparente que protege seus olhos tubulares.
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O encontro aconteceu durante uma expedição científica a bordo do navio de pesquisa David Packard. Os pesquisadores utilizavam um veículo operado remotamente, conhecido como ROV, para explorar o ambiente marinho e estudar organismos gelatinosos, como águas-vivas e sifonóforos.
Quando o equipamento retornava à superfície, a especialista em pesquisa Shannon Johnson identificou o peixe nas imagens transmitidas pela câmera e pediu que a equipe interrompesse a subida para observar o animal. Os cientistas passaram aproximadamente 20 minutos acompanhando o exemplar em seu habitat natural.
Para registrar suas características, utilizaram uma câmera de alta definição 4K e testaram diferentes condições de iluminação. Também conseguiram produzir imagens tridimensionais com uma câmera de realidade virtual acoplada ao veículo submarino.
Veja o resultado: Espécie é raramente encontrada
O M. microstoma é considerado um peixe raro de águas profundas.
Em quase quatro décadas de exploração do oceano, o MBARI realizou aproximadamente 7 mil mergulhos com veículos operados remotamente e registrou mais de 41 mil horas de vídeos submarinos. Ainda assim, a instituição documentou apenas 11 encontros com a espécie.
O último avistamento havia ocorrido em 2021. O registro mais recente também foi o primeiro feito em resolução 4K pela equipe e o primeiro a partir do novo navio de pesquisa do instituto.
Os pesquisadores não capturaram o animal, que permaneceu em seu ambiente natural. Por que o peixe tem a cabeça transparente?
A característica mais peculiar do animal é uma espécie de cúpula transparente e gelatinosa que cobre a parte superior da cabeça. Por meio dela, é possível observar seus olhos tubulares, que apresentam coloração esverdeada.
Diferentemente do que acontece com a maioria dos peixes, os olhos do M. microstoma conseguem girar dentro dessa estrutura transparente.
A adaptação permite que o animal acompanhe possíveis presas enquanto nada em águas profundas. O peixe costuma permanecer relativamente imóvel, com os olhos direcionados para cima, à procura de silhuetas de pequenos organismos.
Quando identifica uma presa, consegue movimentar os olhos para acompanhar seu deslocamento. A estrutura gelatinosa também protege os órgãos da visão durante a alimentação.
A espécie vive na chamada zona crepuscular do oceano, faixa que se estende aproximadamente entre 200 e 1 mil metros de profundidade. Nesse ambiente, a luz solar chega de forma muito limitada, e os animais desenvolveram adaptações específicas para localizar alimento e sobreviver.
Para o cientista Steven Haddock, do MBARI, o encontro representa uma oportunidade rara de observar as adaptações dos animais que habitam essas regiões. — Ver um peixe-de-cabeça-transparente é uma experiência extraordinária.
Integrantes de diferentes setores do navio se reuniram na sala de controle, fascinados por esse animal impressionante — afirmou. Segundo Haddock, o estudo dessas espécies também ajuda a compreender como os organismos desenvolveram sistemas visuais sofisticados para sobreviver em ambientes com pouca luminosidade.
O Globo