PCC se torna referência para o CV e facções podem ter disputa nos próximos 10 anos, dizem especialistas
Especialistas em segurança pública afirmam que o PCC já se tornou uma referência financeira para o Comando Vermelho e alertam que, se o CV mantiver o ritmo atual de expansão, pode chegar a uma disputa mais direta com a facção paulista em São Paulo nos próximos 10 anos.
Foi o que pontuou o subsecretário de Inteligência da Polícia Civil do Rio, Flávio Brito, durante o Seminário Diálogos sobre Segurança Pública 2026, realizado nesta sexta-feira pela FGV, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.
Segundo Brito, o Comando Vermelho já adotou, no Rio, práticas parecidas com as do PCC no setor de combustíveis. Ele afirmou que que há uma tentativa de copiar o modelo financeiro da facção paulista.
“Já detectamos em algumas ocasiões essa exploração também de combustível por parte de facções aqui no Rio de Janeiro. Só que, em geral, é fragmentada, não é uma coisa institucionalizada como o PCC faz. A impressão que a gente tem é que o CV hoje busca ser o PCC do ponto de vista financeiro. Se o Comando Vermelho continuar a expansão nacional no nível que está hoje, em 10, 15 anos, eles vão começar a olhar para São Paulo. E quando o Comando Vermelho, com o poderio de armamento que tem, olhar para São Paulo, acredito que o PCC vai ter dificuldade de segurar.”
Nesta sexta, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, detalhou que o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, terá como prioridade o combate às facções no Rio. A iniciativa prevê investimento de R$ 11 bilhões em todo o país.
A proposta, chamada pelo governo de programa antifacção, busca integrar União, estados e forças de segurança para sufocar financeiramente as organizações criminosas, combater o tráfico de armas, reforçar o sistema prisional e ampliar a investigação de homicídios.
O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, explicou que os estados continuam bancando a estrutura do dia a dia. Já o governo federal deve entrar com investimento em inteligência.
“Fica aos estados a responsabilidade pela máquina, pelo pessoal, porque nós temos hoje no Brasil mais de meio milhão de policiais, então é um custo muito alto. Fica faltando dinheiro para investir em tecnologia, em sistema, em padronização. Vem a União, e é isso que a gente está fazendo.”
A meta, segundo o ministério, é ampliar operações nacionais, integrar dados e atingir o fluxo de dinheiro que sustenta as facções.
