Patrulha Ambiental Rio continua em crise e sem contrato desde outubro

 

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Quase dois meses após a CBN denunciar que a Patrulha Ambiental vivia uma grave crise com estrutura precária, funcionários afirmam que o cenário piorou: caiu ainda mais a porcentagem de chamados atendidos, e o número de reclamações sobre serviços não executados disparou.

Tudo começou ainda em outubro do ano passado, quando foi encerrado o contrato com uma empresa terceirizada que fornecia a estrutura para o órgão, responsável pelo resgate de animais silvestres e fiscalização de crimes ambientais. Em janeiro, a secretária de Meio Ambiente, Tainá de Paula, afirmou à CBN que a solução dos problemas se daria em até 45 dias, prazo que se encerrou no último domingo.

A secretária também afirmou que, enquanto uma nova empresa não fosse contratada, servidores de outras áreas do Meio Ambiente 'dariam conta do recado'. Mas, os números não mostram isso. No Portal 1746, há um déficit enorme no atendimento de resgate a animais silvestres, serviço este que, segundo a própria Prefeitura, deve ser atendido em até 24 horas devido a urgência dos casos.

A Patrulha Ambiental só atendeu 9,8% dos mais de 1700 chamados feitos pelo 1746 nesses primeiros dois meses do ano. E a taxa de reclamação dos cidadãos explodiu: chegou a 11,4%. Vale destacar que até outubro do ano passado, antes de o problema começar, a Patrulha tinha resolução acima dos 99% e as queixam eram de apenas 0,5%.

A ambientalista Isabelle de Loys alerta que a situação gera um prejuízo a fauna da cidade - que detém o título de maior floresta urbana do mundo:

"No resgate de animais ainda está sendo fraco, o atendimento é absurdo. Você está com o animal eles te dão um prazo. Até lá o animal já morreu, não tem como. E não dá para continuar dessa forma. A gente está assim nessa pindaíba, se eu posso dizer dessa forma, desde outubro. Então lá se vão cinco, seis meses sem uma patrulha 100%".

A reportagem CBN apurou com fontes da secretaria que um dos principais problemas para dar andamento nos chamados abertos é estrutural. A Patrulha não tem internet funcionando plenamente, então não consegue fazer o rastreamento dos pedidos em tempo real. A autarquia recebeu aval para a utilização de carros e funcionários emprestados de outros setores, mas o serviço não consegue acompanhar a demanda. Diante da situação, o biólogo Marcello Melo lamenta o sucateamento do serviço:

"A falta do serviço da Patrulha Ambiental no resgate de animais tem comprometido significativamente a fauna carioca. Esses animais feridos que precisam de cuidados, esses animais acabam morrendo. Então, nós estamos tendo uma perda da biodiversidade. E isso compromete significativamente a vida silvestre carioca."

Procurada, a Secretaria municipal de Meio Ambiente informou por meio de nota que o edital será lançado até o fim desta semana. A Secretaria está finalizando os trâmites administrativos necessários para a publicação dos novos editais anunciados pela pasta, que contemplam contratação de pessoal, aquisição de materiais específicos e reforço da infraestrutura operacional.

Já sobre o problema de internet e telefonia, a pasta reforçou que o contrato para repor o serviço já foi assinado desde o início de fevereiro.

Além disso, a SMAC aponta que os parâmetros já estão sendo retomados e, atualmente, estão com 86% de atendimento. Sobre reforço de efetivo: a pasta afirma que tem 34 Agentes de Defesa Ambiental e já foram recontratados 18 profissionais para atuarem junto à equipe para atendimento em todas as regiões da cidade.