O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou que parte das críticas ao split payment e à exigência de recolhimento do tributo na etapa anterior para o aproveitamento de créditos beneficia empresas que atuam para fraudar o Fisco. “Eu ouso dizer que essas discussões, muitas delas são justas, mas muitas vezes algum tipo de crítica que se faz ao crédito e ao split payment acaba beneficiando aqueles que querem manter essas obscuridades que permitem as noteiras, essas empresas que vivem de fraudar o Fisco e monetizar essa fraude. Isso, em boa parte, acaba com a reforma tributária, inclusive com o split payment”, disse. Barreirinhas também comparou a onda de críticas ao que ocorreu no ano passado, quando se espalhou uma notícia falsa sobre a tributação do Pix. Segundo ele, a desinformação beneficiou o PCC e outras organizações criminosas que “se valiam das fintechs para lavagem de dinheiro”. A declaração foi dada nesta quarta-feira (14), durante o IV Congresso de Direito Tributário e Aduaneiro, em Brasília. Previsto na reforma tributária sobre o consumo, o split payment é um sistema de recolhimento automático de impostos que tem sido criticado por empresários, setores econômicos e parte da oposição do governo Lula (PT). A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que, se ele for eleito presidente, acabará com o mecanismo. A proposta foi apresentada pela porta-voz da campanha para temas econômicos, Daniella Marques, em entrevista ao canal do jornalista Claudio Dantas no YouTube. A mudança faria parte de uma “reforma da reforma”. Como mostrou o Valor, especialistas se dividem ao avaliar a proposta. Embora muitos vejam problemas no modelo, alguns alertam para a insegurança jurídica que a mudança poderia trazer. Em resposta, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reagiu e disse que ser contra uma inovação tecnológica como o split payment “é favorecer quem frauda”.
Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal Gabriel Reis/Valor
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