Paraguai: Peña renuncia e Câmara aprova julgamento político

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, a renúncia ao cargo em meio ao colapso do Ueno Bank. Em mensagem em vídeo, afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas.

Horas depois, a Câmara dos Deputados aprovou por 78 votos a favor, em sessão extraordinária, a acusação de julgamento político contra Peña e remeteu o processo ao Senado. O anúncio oficial da Casa registra que a renúncia foi apresentada em paralelo à votação.

Uma sessão conjunta do Congresso foi convocada para aceitar ou rejeitar a demissão. Oficialistas abandonaram o plenário e a sessão perdeu quórum, deixando a renúncia sem decisão formal.

Sem aceite ou rejeição, Peña permanece formalmente no cargo enquanto o julgamento político segue no Senado. O partido virou contra o presidente

A queda acelerou quando a Associação Nacional Republicana, o Partido Colorado, passou a apoiar o afastamento. Em nota, o presidente da sigla, Horacio Cartes, afirmou que o partido não estaria do lado do roubo dos fundos públicos.

O respaldo colorado isolou Peña e empurrou o julgamento na Câmara. Os deputados atribuem a Peña conflito de interesses por participação na Ueno Holding até 2025, a indicação de Carlos Carvallo, ex-dirigente da financeira Ueno, para o Banco Central, mudanças em regras de conflito de interesses e a concentração de recursos do Instituto de Previsión Social no banco.

A Câmara também escolheu oito deputados para atuar como fiscais acusadores no Senado. O pedido de julgamento contra o vice-presidente Pedro Alliana foi rejeitado.

Se a renúncia for aceita ou se houver destituição, a Constituição prevê que Alliana assuma a Presidência até o fim do mandato, em 2028. Até lá, a sucessão ainda não se consumou.

A crise do Ueno Bank O Banco Central do Paraguai iniciou na terça-feira, 3 de novembro, o processo de resolução do Ueno Bank por graves problemas de solvência.

A instituição, descrita como o maior banco digital do país, deixou milhões de clientes sem acesso ao dinheiro, com aplicativos, cartões e transferências paralisados. Além de depósitos de famílias e aposentados, a entidade concentrava centenas de milhões de dólares em fundos públicos.

A Fiscalía abriu investigação penal sobre irregularidades no banco e, segundo a cobertura desta quinta-feira, também passou a mirar o próprio Peña. Depois da sessão sem quórum, Peña disse que se apresentará no julgamento político e exercerá o direito de defesa com argumentos e provas, com respeito à Constituição.

A forma como deixar o poder define se conserva ou perde a senadoria vitalícia e a imunidade parlamentar prevista para ex-presidentes eleitos.

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