Num esforço para conter o aumento do "doomscrolling" — o ato de consumir compulsivamente conteúdo nas redes sociais e na internet — Cingapura lançou neste mês uma campanha nacional sem precedentes: a partir de agora, e durante cinco anos, o Estado pagará aos seus habitantes para lerem. Crimes contra a humanidade: O que documentário ovacionado em Veneza revela sobre sistema secreto usado por Israel contra civis em Gaza Em atenção: Modelos de IA especializados em biologia alimentam temor de nova corrida por armas biológicas A iniciativa visa, por um lado, reduzir a dependência da população em relação aos smartphones e, por outro, promover a leitura. O objetivo principal é que os singapurianos aprimorem sua concentração, pensamento crítico e imaginação. — Vivemos em um mundo de extraordinária abundância de conteúdo, informação e estímulos. A qualquer momento, podemos consultar centenas de manchetes, assistir a um vídeo ou obter um resumo de praticamente qualquer coisa — explicou Melissa Tam, diretora do Conselho da Biblioteca Nacional de Cingapura, em entrevista ao Straits Times. — Sabemos que os hábitos se formam por meio de pequenas ações consistentes. Por isso, começamos com um objetivo simples: ler por apenas 15 minutos por dia. Seja no ônibus, antes de dormir ou durante o almoço — acrescentou. Mas como um governo pode saber quanto uma pessoa lê e pagá-la por isso? Cingapura usa um sistema de pontos. Após 15 minutos de leitura diária, os indivíduos podem registrar seu tempo de leitura em um site do governo e acumular pontos para depois ganhar dinheiro. Homem com celular em mãos e livro Pexels No entanto, ninguém conseguirá ganhar grandes somas apenas lendo. Cada usuário pode registrar apenas uma sessão por dia, e o pagamento é modesto. Uma sessão diária de 15 minutos concede a cada leitor 20 moedas virtuais, e são necessárias 1.000 moedas para receber 1 dólar de Cingapura (US$ 0,80, ou cerca de R$ 4, na atual). Isso significa que é preciso ler por 50 dias para ganhar 1 dólar de Cingapura. O governo acredita que a recompensa financeira e o sentimento de participação pública podem ajudar a reviver um hábito que caiu em desuso diante dos avanços tecnológicos. Debate em torno do incentivo à leitura O programa é tão recente que ainda é cedo para dizer se realmente funcionará. Dentro desta pequena cidade-estado, o incentivo financeiro à leitura gerou um debate considerável. Muitos duvidam que essas recompensas modestas possam ser mais atraentes do que a descarga de dopamina das redes sociais. Outros acreditam que qualquer medida que incentive as pessoas a lerem em uma era de hiperdistração não pode ser algo ruim. — Prefiro ver pessoas lendo e perdendo a parada no trem ou no ônibus do que ouvir o som constante do TikTok e de dramas chineses gerados por inteligência artificial tocando alto no transporte público — disse Charmaine Lim, criadora de conteúdo sobre livros e estilo de vida de 28 anos, que mora em Cingapura, à CNN. — Recompensas financeiras funcionam bem para pessoas que já têm algum interesse em leitura, mas para aquelas que não têm nenhum interesse, incentivos em dinheiro podem não ser suficientes para cultivar uma motivação intrínseca e duradoura para ler — argumentou Charissa Ng, psicóloga clínica sênior da Putra Star Care em Cingapura, em entrevista à CNN. Um dos melhores do mundo Cingapura é considerada um dos países líderes mundiais em educação. Os resultados dos últimos testes PISA destacaram, mais uma vez, seu sistema educacional de vanguarda. Nas três áreas avaliadas na edição de 2025 desta avaliação internacional — Ciências, Matemática e Leitura — Cingapura e diversas jurisdições chinesas mais uma vez se classificaram entre as melhores do mundo. Em Leitura, o pequeno país asiático liderou o ranking mundial com 535 pontos. No entanto, conforme relatado pelas autoridades responsáveis pela avaliação, esta área apresenta o maior declínio histórico, com pontuações cada vez mais próximas em todo o mundo. Para aumentar a taxa de natalidade Em agosto passado, Cingapura anunciou que pagaria às famílias cerca de 68 mil dólares de Cingapura (equivalente a 54 mil dólares americanos) por cada filho menor de 18 anos, com o objetivo de aumentar a taxa de natalidade. Sua taxa de fertilidade caiu para um mínimo histórico de 0,87 filhos por mulher, o equivalente a 6,5 nascimentos por 1.000 habitantes, uma das taxas mais baixas do mundo. O montante anunciado pelo primeiro-ministro Lawrence Wong há dois meses inclui ajuda direta, como, entre outras coisas, um "presente para bebês" de 10 mil dólares de Cingapura (aproximadamente 7.800 dólares americanos) e subsídios maiores para creches em tempo integral. (Com informações do El País.)
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Para reduzir a dependência de celulares, Cingapura paga população por leitura de livros
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O Globo
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