Com a chuva, buscas por lavanderia disparam e improviso para secar roupa preocupa especialistas

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Fonte da notícia: CBN CBN

Na internet, só se fala na roupa que vai se acumulando no cesto enquanto o sol não aparece. Quem arrisca pode ter que lavar tudo de novo, depois de dias no varal sem secar. Com a chegada da temporada de chuvas, a roupa suja virou um problema nos últimos dias em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A procura por lavanderia perto de casa subiu mais de 5 mil por cento na comparação com a mesma época do ano passado, e o interesse por secadora de roupas aumentou 350% em uma semana, segundo os dados do Google Trends, ferramenta que mede a variação do interesse dos usuários ao longo do tempo. São Paulo concentra a maior parte das buscas. A ouvinte da CBN Katia Rodrigues mora em Perdizes, na zona oeste da capital paulista, e conta que desistiu de esperar o sol. "Assim como o resto da cidade e do estado de São Paulo venho sofrendo com as chuvas abundantes. Lancei mão de uma estratégia por conta das roupas que era um tal de lavar e pôr de novo para lavar e lavar e não secava. Estou utilizando as lavanderias profissionais que tem nas ruas, em shoppings e funcionam muito. A roupa sai quentinha e cheirosa. Vale muito a pena. R$ 17 por máquina e você tem a sua roupa tranquilinha, prontinha para guardar na gaveta" Nesse cenário, aumenta também a busca por improvisos. Em uma semana, o Google registrou aumento de 600% nas buscas por "pode secar roupa", que pode ser complementada por dúvidas como: "pode secar roupa atrás da geladeira?" ou até "pode secar roupa no micro-ondas?". Outra ouvinte da CBN, Rosimeire Vitorino, de Guarulhos, conta que adotou medidas desesperadas: "Com essa chuva que não para, estou economizando roupa sempre, pois nada seca. Repito, blusas e casacos. Calça jeans é usada mais de uma vez sem lavar, e só a blusa de baixo trocada. Bons tempos quando secava roupa atrás da geladeira. Hoje nem dá mais, porque o motor é reto. Seco também algumas peças com a ajuda do ferro ou do secador. Se continuar assim, irei embolorar também" O engenheiro Edson Martinho, da Abracopel, a Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade, alerta sobre os perigos de algumas práticas. "Antigamente se colocava atrás da geladeira. Hoje em dia a maioria das geladeiras não tem mais espaço para colocar. Mesmo as que têm, tem que tomar muito cuidado. Primeiro que você está restringindo a circulação e pode gerar um aquecimento excessivo. E quando você coloca próximo a um secador ou próximo a um aquecedor, você também restringe a circulação. Primeiro que o equipamento pode esquentar mais do que o normal. E segundo que você pode esquentar mais do que o necessário. A roupa, por exemplo, e aí iniciar um incêndio" A ideia do micro-ondas é ainda mais perigosa: o aparelho aquece a água presente no tecido de forma desigual, o que pode queimar a peça. Além disso, qualquer metal provoca faíscas dentro do aparelho. Martinho condena a prática: "Ou, sei lá, de repente colocar próximo a micro-ondas, você tem as saídas de ar do micro-ondas. As duas opções são maluquice. Primeiro que dentro de micro-ondas ou qualquer outro equipamento, você não vai ter aquecimento suficiente para secar. E se você utilizar as saídas de ar, que normalmente são mais quentes do lado desses aparelhos, seja micro-ondas, seja a fitadeira elétrica, você corre um risco absurdo de iniciar um incêndio. Então tem que tomar muito cuidado com isso" A Abracopel registrou alta de quase 10% nos incêndios de origem elétrica no Brasil no ano passado, e atribui parte das causas ao mau uso de equipamentos, especialmente à forma como são ligados: secadora, aquecedor e outros equipamentos de alta potência precisam de tomada própria, nunca devem ser usados com adaptador ou extensão. E a procura por lavanderia tende a seguir crescendo. O Brasil tem mais de 27 mil lavanderias em funcionamento, cerca de 3 mil delas no formato self-service, segundo o Sebrae, e o setor cresceu 44% entre 2019 e 2024. Hoje, só 4% da população usa o serviço com regularidade. A Associação Nacional das Empresas de Lavanderia projeta que esse número chegue a 10% até 2030. A temporada de chuvas no Sudeste vai até março. No Sul, a chuva é distribuída ao longo do ano, sem uma estação seca definida.

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